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Eles carregam a responsabilidade de apresentar a escola na avenida

Kátia Appolinário | 23/02/2020 | 06:50

Com 20 anos de experiência como mestre-sala e porta-bandeira, Laércio da Cruz Mattos Mojola e Rita de Cássia de Araújo Faria, respectivamente, são veteranos no Carnaval jundiaiense. “Na década de 90, resolvemos fazer o curso para aprender e posteriormente ensinar outros casais a como exercer a função. Falei com o Laércio, ele topou, e fomos para São Paulo”, relembra Rita.

Com plumas e movimentos suntuosos, os mestres-salas e as porta-bandeiras carregam a missão de apresentar suas escolas na avenida do samba. Contudo, esta tarefa não é tão simples quanto parece. “Nos preparamos com meses de antecedência e ficamos em alerta para que não ocorra nenhum acidente ou algo que possa comprometer o nosso desempenho na avenida”, conta Laércio que, no próximo ano, passará adiante o pavilhão da Unidos Vila Rio Branco para outro casal treinado por Rita e por ele mesmo.

Representando a Arco-íris, André Luís de Oliveira, de 40 anos, aprendeu as funções do ofício com Laércio e sabe da responsabilidade incutida a ele. “Nosso bailar é diferenciado, temos passos específicos”, conta ressaltando a importância da harmonia entre o casal.

A jornalista Giovanna Morais, de 24 anos, é porta-bandeira da Arco-íris desde os 11 anos. Ela acompanha André e, para ela, a função é um rito de cumplicidade. “A porta-bandeira ostenta o pavilhão e o mestre-sala o defende, então somos um time, somos parceiros e dançamos um para o outro”, explica a jovem que cresceu na avenida.

ANOS DE HISTÓRIA

Antigamente, existia uma rivalidade entre as escolas de samba e o papel do mestre-sala era o de proteger o pavilhão para que as demais agremiações não roubassem a bandeira concorrente. Hoje algumas coisas mudaram, a rivalidade tornou-se uma competição saudável, mas a missão do casal continua sendo imprescindível para a escola, principalmente por ser um dos principais requisitos levados em conta no momento da apuração.

Além da performance do casal, o júri também avalia outros nove fatores, dentre os quais também estão a harmonia, a evolução da escola, a comissão de frente e o samba enredo.

Marina Trivelato, de 24 anos, é professora de bale clássico e porta-bandeiras da Unidos da Zona Leste. “O primeiro casal é avaliado durante o desfile da escola. Carregamos o símbolo máximo da agremiação, então toda a luta da comunidade está ostentado em nossas mãos”, conta.

Seu parceiro na Zona Leste, Matheus Nogueira, de 25 anos, assina embaixo o que Marina diz. “A dança do casal deve ser perfeita, com entrosamento, paradas cravadas, respiração compassada. Na avenida não sigo rituais, apenas me concentro, esqueço todas as adversidades, pego firme na mão da minha parceira. Olho nos olhos dela e falo: agora é eu por você e você por mim”, reitera.

CARNAVAL 2020

Na última noite desfilaram as escolas do Grupo Especial. Na terça-feira (25) desfilam na avenida do samba as escolas do Grupo de Acesso. A festa começará às 19h com a Corte de Alegria, assim como foi feito no desfile das escolas do Grupo Especial. A Mocidade da Agapeama será a primeira a entrar na avenida, seguida da Marujos da Zona Sul e o fechamento ficará por conta da Caprichosos de Jundiaí.

Foto: Fabinei Sena – K2 Produções


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