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Eles foram mortos pela facção, diz polícia

FÁBIO ESTEVAM | 10/08/2019 | 05:01

Três dos quatro homens cujos corpos foram encontrados enterrados em um terreno baldio no bairro Engordadouro, no último dia 29, foram executados depois de serem julgados pelo tribunal do crime da conhecida facção criminosa que comanda os presídios no Estado de São Paulo. Todos, aliás, eram integrantes dessa facção. A conclusão é da Polícia Civil de Amparo, cidade em que as vítimas, no início do ano, executaram um homem com sete tiros no rosto. O desfecho das investigações em Amparo só foi possível depois que a DIG (Delegacia de Investigações Gerais de Jundiaí) identificou os corpos.

“Para nós não restam mais dúvidas. Esses quatro elementos enterrados aí em Jundiaí estavam na cena do crime aqui em Amparo. Eles executaram um homem que também era da mesma facção criminosa”, disse o investigador da delegacia daquela cidade, Clayton Luiz dos Santos.

Santos, contudo, disse não saber falar o que teria motivado o crime. “Eles, na verdade, não eram daqui (um era de Jarinu, um de Cosmópolis e outro de Goiás). Nem mesmo o Kleber, que foi quem eles mataram, era daqui da cidade. Eles estavam passando por Amparo de carro, quando pararam num posto de combustíveis. O Kleber estava no porta-malas, amarrado e amordaçado. Quando percebeu que estavam parados, ele se bateu, fazendo barulho e chamando a atenção dos frentistas. Então os bandidos deixaram o local e, para se livrarem logo dele, o executaram com vários tiros e o abandonaram no carro na nossa cidade”, relevou.

Kleber, segundo apurou a reportagem, era parente de um integrante do alto escalão da facção. “Certamente houve um desacerto entre eles, e que acarretou em todas essas mortes”, frisou o policial.

Quem matou?
Agora as atenções se voltam apenas para Jundiaí, uma vez que a DIG ainda precisa descobrir quem são os autores dos assassinatos dos quatro homens encontrados enterrados no Engordadouro. “Nós já temos indícios. E inclusive já fiz alguns ofícios a respeito disso, os quais estou esperando resposta. Qualquer coisa que eu fale além disso pode nos prejudicar nas investigações”, comentou Carlos Eduardo Barbosa, delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Jundiaí.

Ontem, a pedido da própria DIG, cães farejadores da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de São Paulo estiveram em Jundiaí, para tentar descobrir se havia mais corpos enterrados no mesmo terreno (leia mais ao lado).

GCM descarta presença de mais corpos no terreno

A equipe de canil da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo descartou a possibilidade de haver mais corpos enterrados em um terreno baldio às margens de um córrego afluente do Rio Jundiaí, no bairro Engordadouro. Três cães farejadores, especializados na localização de cadáveres, foram utilizados durante os trabalhos, mas não identificaram indícios contundentes.

Apesar de a área ter sido queimada recentemente, o que dificulta o trabalho dos cães, o inspetor Sérgio Jovino de Oliveira, da GCM, cravou. “Inicialmente desconfiamos de que os criminosos poderiam ter retornado ao local para colocar fogo propositalmente, na tentativa de dificultar o faro dos cães. Esse fato, claro, prejudica. Entretanto, posso dizer com 99% de certeza de que não há mais corpos nesse local”.

Para o delegado Carlos Eduardo Barbosa, da DIG (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), “a conclusão da GCM serve para afirmar que não se trata de um cemitério clandestino, mas apenas de um local aleatório escolhido para enterrar somente esses corpos”.


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