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Em 10 anos, área plantada reduz 28% em Jundiaí

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 24/02/2019 | 05:00

A área plantada ou destinada à colheita dentro do município passou de 3.383 hectares para 2.430 he de 2007 a 2017, uma redução de 28% em dez anos. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e estão disponíveis no Observatório de Jundiaí. O município mostrou um desempenho especialmente ruim em 2015, quando a quantidade de área plantada chegou a 2.142 hectares, e voltou a subir levemente a partir de 2016. Não há dados de 2018 disponíveis ainda.

A Prefeitura de Jundiaí atribui a queda à tecnologia, que permitiu maior produtividade em uma área menor de plantio. “A agricultura, como qualquer setor, esta automatizando seus sistemas devido à mão de obra escassa e diminuição do emprego”, explica o gestor da Unidade de Agronegócio, Abastecimento e Turismo (UGAAT), Eduardo Alvarez.  Ele ainda ressalta que a fruticultura, fortemente cultivada no município, possui uma série de técnicas que facilitam o cultivo por m2. “Muitos produtores locais usam o cultivo em Y, a poda verde e outros métodos que aumentam o período produtivo das videiras”, diz, se referindo à produção de uvas.

A Vinícola Castanho é um exemplo de empresa que diminuiu a área de cultivo devido à falta de trabalhadores. Criada em 1968 pelo avô de Gustavo Leme da Silva, que hoje é responsável pela agricultura da empresa, a Castanho chegou a parar de cultivar as próprias uvas na década de 80. “A mão de obra era especializada e, por isso, muito cara. Então meus avós optaram por comprar a uva e só vinificar aqui”, conta Gustavo.

TURISMO
Aos poucos, a família voltou a cultivar a fruta – inclusive expandindo a área de plantio nos anos 90. O motivo? Interesse turístico. “O turismo rural em Jundiaí só cresce e a tendência é que ele se torne um dos salvadores da empregabilidade”, analisa Eduardo Alvarez. “Enquanto a indústria só diminui o número de vagas, o setor de serviço só aumenta. No turismo, isso incentiva o produtor a plantar mais”.

Gustavo concorda. Ele conta que, depois que o interesse turístico começou a despontar na cidade, a família aumentou o cultivo da uva. “O enoturismo pede a plantação. Hoje oferecemos a tour do vinho, que inclui o plantio, a produção e a degustação”, diz. “O turista quer a experiência completa”.

A partir de 2007, a Castanho começou a implantar novas técnicas de cultivo (em Y) e incluir maquinário, aumentando a produtividade. A empresa, que começou com 3,4 mil pés de uva com o avô de Gustavo, chegou a ter 10 mil pés atualmente. “Começamos até a cultivar outras variedades de uva. Também passamos a dar mais atenção ao atendimento e renovamos a adega”, conta o neto da família.

POLÍTICAS PÚBLICAS
Ele acredita, porém, que ainda falta incentivo público para o produtor. “O turismo é tratado muito localmente ainda, falta uma visão estadual. Isso com certeza aumentaria a quantidade de turistas de outras partes de São Paulo visitando a cidade”, opina.

O gestor da UGAAT afirma que a prefeitura tem trabalhado para agregar valor ao produto produzido no município. A gestão está tentando conquistar um selo que certifica Jundiaí como um local de referência para o cultivo da uva niágara. “Acreditamos que o selo sai agora em 2019 e vai estimular o produtor”, diz Eduardo. O gestor ainda citou o aumento da subvenção rural, que passou de R$ 300 mil para R$ 400 mil em 2019.

“Se não agregar valor, o produtor não consegue sobreviver porque o valor da terra em Jundiaí é alto”, diz. “Tem que escalonar a produção com poda, buscar tecnologias de cultivo, plasticultura, etc. Temos observado também a volta da agricultura orgânica principalmente em áreas periurbanas”.

Foto: Alexandre Martins


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