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Em dois meses, fluxo de atendimento nos PAs públicos cai 56%

KÁTIA APPOLINÁRIO | 18/06/2020 | 05:00

Com a pandemia, todo o sistema de saúde teve que ser reorganizado e, com isso, o fluxo dos pontos de atendimento também sofreu mudanças. De acordo com a Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS), os pronto-atendimentos (PA’s) registraram uma queda expressiva no número de pacientes. Entre os meses de abril e maio deste ano foi registrado a passagem de 57,6 mil pacientes pelos quatro Pronto-atendimentos (PA’s) da cidade, além da UPA. Em contrapartida, no ano anterior foram registrados 131 mil atendimentos, o que representa uma queda de 56% em um ano.

Segundo o coordenador médico do Hospital São Vicente, Mauro Ivan Andrade, a queda de atendimento nos PA’s pode estar diretamente ligada ao medo da população em sair de casa.

“As pessoas têm se mostrado receosas em relação a covid-19 e isso reflete na diminuição do fluxo nos PA’s. Até mesmo os pacientes crônicos estão evitando marcar exames e outros procedimentos médicos”, explica, ressaltando que, querendo ou não, os pronto-atendimentos são a porta de entrada dos casos graves.

O especialista alega ainda que os pacientes apresentam incerteza em relação aos sintomas e que a falta de ar nem sempre é sinônimo de coronavírus. “Chegam até nós inúmeros pacientes ofegantes devido a crises de ansiedade desencadeadas pelo isolamento social. Por meio dos oxímetros conferimos para ver se existe a possibilidade de ser um caso de covid-19 ou não”, reitera.

A fotógrafa Giovanna Bastos Gasparino, de 26 anos, resolveu adiar as consultas de rotina não só dela, como também da mãe por conta da pandemia. “Estamos bem receosas, com medo de adquirmos o vírus, então todas as consultas e exames que podem esperar, iremos adiar”, ressalta.

A cabeleireira Noemi Oliveira Rinco, de 51 anos, possui convênio em um hospital particular e tem evitado realizar consultas e exames neste período. ” Desmarquei um exame de colonoscopia e uma endoscopia duas vezes.

Além disso, também desmarquei duas consultas médicas. Só vou ao PA se estiver passando muito mal, caso contrário, nem pensar”, alega. E completa. “O medo da contaminação me assola”.

ALTO FLUXO
As Unidades de Sentinela, estruturadas no mês de abril e especificamente para a recepção de munícipes com sintomas gripais leves, se tornaram um forte foco de triagem e, nos últimos três meses teve um crescimento de 167% nos atendimentos. Em abril foram registrados 399 atendimentos, em maio foram 1.067. Já até o dia 12 de junho, foram 785 pacientes quase o dobro de abril em menos da metade do mês.

Em relação ao atendimento nos pronto-atendimento da rede privada de saúde, o Hospital Pitangueiras/Sobam alega que não foi autorizado a divulgar o fluxo de pacientes. A Intermédica (Paulo Sacramento) diz que os números são reportados diretamente para a Secretaria de Estado de Saúde.


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