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Em Jundiaí, 120 pessoas são assistidas pelo Bem-Te-Vi

Édi Gomes | 17/03/2020 | 05:01

O Dia Internacional da Síndrome de Down, lembrado no próximo dia 21, reflete a intensidade do DNA humano, mas com uma alteração poética neste código genético científico: o elemento amor. Eles são extremamente carinhosos, interessados, perfeccionistas e fazem com que os pais superem qualquer limitação na compreensão.

Estima-se que no Brasil 1 em cada 700 nascimentos ocorre o caso de trissomia 21, que totaliza em torno de 270 mil pessoas com síndrome de Down. Em Jundiaí há um local que trabalha intensamente pela inclusão, mas acima de tudo pelos portadores da síndrome: trata do Centro de Atendimento à Síndrome de Down Bem-Te-Vi, fundada em 13 de dezembro de 1990.

Atualmente com 120 assistidos, a entidade oferece diversas atividades com o objetivo estimular a fala, o andar e outras funções cognitivas. Também são preparados para o mercado de trabalho em diversas funções. “Aqui na Bem-Te-Vi eu tenho assistido que trabalha na área administrativa de um hospital, em loja de shopping, empresa de logística. Eles têm as suas limitações mas eles podem trabalhar em qualquer área. Eles conseguem desenvolver muito bem as funções no trabalho”, enfatiza a coordenadora administrativa Cristiane Kroneis.

Orientação necessária

Há 31 anos José Aparecido Longo, mais conhecido como “Passarinho”, e sua esposa Izildinha Aparecida Moraes assistiam um jogo de basquete no Ginásio Dr. Nicolino de Lucca (Bolão). Enquanto a partida seguia, sua bolsa rompeu. Ele foi para a casa pegar algumas roupas e, quando chegou ao hospital, sua filha Estefani já havia nascido. “Não deixaram eu ver minha filha. Falaram que estava na incubadora entre outros processos. Fui embora pra casa e no dia seguinte a assistente social da empresa me chamou para irmos ao hospital. Chegando lá falaram que a minha filha tinha um probleminha de saúde”, narra Passarinho.

Uma equipe médica deu a notícia aos pais. “Me disseram ‘sua filha é mongolóide’. Antes de falarem desta maneira perguntei se ela não tinha braço, perna ou cabeça. Independente do que tivesse era minha filha. Os médicos preocupados com a reação da minha esposa, mas eu disse que nós iríamos receber a nossa filha Estefani”, lembra.

A situação presumida pelo médico foi totalmente reversa. Alertaram que ela não mamaria, demoraria para andar, falar, entre outras características etárias de uma criança. Não foi o que aconteceu. “Quando a Estefani chegou no quarto mamou. Secou todo o leite. Começou falar com um ano e seis meses. Lê, escreve, tem 31 anos, tem o seu computador e sabe usar aplicativos de celular melhor do que eu”, comenta orgulhoso.

A situação era nova para ele e esposa, que já tinham o outro filho o Everton. Receberam orientações das massagens estimuladoras para ativar a circulação e frequentavam a APAE Jundiaí. “Mas o tempo era curto. Uma vez por semana e meia horinha. Juntamos com outros cinco pais e fundamos o Centro de Atendimento à Síndrome de Down Bem-Te-Vi. Começou com seis e agora tem 120 assistidos”, diz.

Para Luiza Loys Gomes não foi diferente. Quando Davi chegou a preocupação era quanto sua adaptação. “Assustou e fiquei preocupada, mas deixei tudo para cuidar do Davi. Ele está com 4 anos e desde 1 ano frequenta o Bem-Te-Vi. Ele é carinhoso, inteligente e interage com todo mundo. Ainda não fala, mas sabe comunicar o quer”, comenta.

Ela tem mais dois filhos: o Ricardo, com oito anos e o Benício de um ano e meio. “Inclusive, o mais velho além de brincar com o irmão, toma conta dele”, comenta.

Parceria
A Unidade de Gestão de Educação (UGE), por meio do Departamento de Educação Inclusiva, acompanha 61 estudantes com Síndrome de Down matriculados no sistema municipal de ensino. Em nota, a UGE acrescenta que, em parceria com a instituição Bem-Te-Vi, também disponibiliza aos profissionais do sistema que trabalham diretamente com os estudantes, o Estudo de Caso, momento este destinado a reunir profissionais da instituição e da unidade escolar para discutir sobre a evolução da criança, bem como alinhar o trabalho a ser realizado, conforme o Plano de Desenvolvimento Individualizado.

O Plano de Desenvolvimento Individualizado é planejado pela equipe escolar e por professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE), outro serviço da UGE, e respeita a particularidade do aluno. Neste momento, não estão programadas atividades alusivas à data.


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