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Em Jundiaí, 25 mil pessoas têm diabetes

SIMONE DE OLIVEIRA | 05/05/2019 | 07:00

Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) revelam que no Brasil já são registrados 13 milhões de diabéticos e que a tipo 2 será a próxima epidemia global. Em Jundiaí, esse número já chega a 25 mil pessoas diabéticas, segundo a Unidade de Promoção da Saúde (UGPS), com destaque também para o tipo 2, em que o organismo produz insulina, mas ela não exerce a função adequada.
Os especialistas sabem que alguns pacientes sentem dificuldade no controle da doença, por isso todo o cuidado com este público é feito nos municípios como forma de conter ou amenizar os efeitos da doença. Uma pesquisa do Ministério da Saúde indicou que entre os anos de 2006 e 2016 foi registrado um aumento de 61,8% nos casos de diabetes no país, em paralelo o número de casos de obesidade cresceu 60%, por isso a atenção fica por conta de reduzir as taxas de gordura.
A endocrinologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Mariana Soares Dalla Mariga Jorgino, alerta para a relação do diabetes com a obesidade, sedentarismo, maus hábitos alimentares, e herança familiar. Segundo a médica, o número de casos está aumentando de maneira muito importante nos últimos anos, inclusive em pacientes mais jovens (crianças e adolescentes).
“Não podemos falar que é o tipo mais perigoso, mas está associado a inúmeras complicações graves, como neuropatia, maior risco de doenças cardiovasculares, como infarto cardíaco e acidente vascular cerebral, alteração visual que pode levar à cegueira e até complicações renais”, alerta.
Mesmo sem saber a causa real de sua doença, o aposentado Antônio Inácio Pinheiro teve sua rotina modificada quando soube da doença, há mais de 20 anos. Ele toma medicação diária, em especial a insulina injetável e isto pode acontecer pelo menos duas vezes no dia. “Eu não sei como surgiu a doença, mas sempre vou ao posto (de saúde) para verificar se está controlada”, comenta o aposentado.

PERFIL VARIADO
A endocrinologista Mariana Jorgino explica que não há uma idade certa para começar a se preocupar com a doença, mas é preciso estimular os bons hábitos alimentares, assim como realizar atividades físicas desde a infância. Ela lembra que pacientes com histórico familiar de diabetes tipo 2 devem estar alertas e, além das modificações de estilo de vida, fazer exames rotineiramente com seu médico.
“Sabe-se que alimentos com grande carga glicêmica, como doces, carboidratos simples, fast foods e refrigerantes são relacionados a alterações da glicemia. Alimentação ruim e sedentarismo são grandes vilões no desenvolvimento do diabetes tipo 2”, explica Mariana.
O gerontologista Caetano Munhoz de Domênico afirma que sintomas clássicos de uma pessoa com diabetes é sentir muita sede (polidipsia), fome (polifagia), urinar demais (poliúria), e perder peso sem causas aparentes. Pessoas com sobrepeso ou obesidade abdominal são os mais propensos a ter a doença.
“Esse tipo de obesidade causa alterações chamadas de síndrome metabólica, uma condição precursora do diabetes. Ela faz com que haja diminuição do bom colesterol (HDL), aumento do colesterol ruim (LDL), aumento dos triglicérides, aumento do ácido úrico e aumento da glicemia. É por isso que hoje, enquanto estamos vivendo uma epidemia mundial de obesidade, aumenta vertiginosamente o número de diabéticos.”
Para prevenção do diabetes, da obesidade e manutenção da qualidade de vida, as pessoas precisam compreender, segundo Domênico, a necessidade de eliminar o sedentarismo. Ter o hábito de consumir alimentos não processados, frutas, legumes e verduras e evitar os industrializados ricos em gorduras prejudiciais também podem ajudar. “Com o aumento da expectativa de vida populacional torna-se imprescindível cuidar preventivamente da nossa saúde para podermos desfrutar de um envelhecimento saudável e prazeroso”, indica o especialista.

À DISPOSIÇÃO
Alguns serviços são prestados pela rede de saúde para os moradores de Jundiaí, tanto nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como no Ambulatório de Especialidades do Núcleo Integrado de Saúde (NIS). Este, inclusive, desde 2013 realiza um trabalho educativo direcionados para a população diabética e toda segunda-feira, às 14h, no 4º andar, os interessados em receber as informações podem participar das reuniões.
Para quem precisa de medicamentos gratuitos tem à disposição os antidiabéticos orais fornecidos pelo SUS, além das insulinas NPH e Regular, disponíveis em todas as UBSs.
Jundiaí ainda fornece seringas de insulina com agulha acoplada de 6mm com capacidade para 50u e 100u (referência às doses) para pacientes moradores da cidade. A retirada é feita na UBS do próprio bairro. Outra ajuda são os análogos de insulina de ação ultrarrápida, para diabéticos do tipo 1, conforme portaria conjunta n°8 (de 15/03/18) que aprova o protocolo para dispensação. Segundo a UGPS esta oferta é feita pelo Estado.

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