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Em Jundiaí, 62% das indústrias não pararam

KÁTIA APPOLINÁRIO | 26/03/2020 | 05:00

Em tempos de crise e pandemia, o setor industrial tem se esforçado para amenizar os prejuízos econômicos decorrentes do coronavírus. De acordo com o Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Jundiaí), 62% das indústrias seguem operando normalmente na cidade.

O diretor-titular do Ciesp, Marcelo Cereser, declara que o setor industrial adotou medidas expressivas para que a paralisação não fosse necessária. “Muitos adotaram o sistema de home office para colaboradores da área administrativa e adiantaram as férias para àqueles que fazem parte do grupo de risco”, afirma.
Segundo Cereser, além dos estabelecimentos que seguem com funcionamento normal, pelo 19% das indústrias operam parcialmente e outros 19% paralisaram suas atividades.

A Astra atua parcialmente desde a última terça-feira (24). A empresa está com um efetivo de 30 pessoas administrativas em home office; já o retorno às atividades normais está previsto para 13 de abril. “Foram concedidas férias a mais de 70% dos colaboradores. As pessoas do grupo de risco não estão exercendo suas atividades desde o dia 19 de março. Elas foram as primeiras a deixarem a empresa”, informa João José Storari, gerente de Recursos Humanos da Astra.

Rômulo Romanato, diretor da Romanato Alimentos, afirma que a rotina da indústria sofreu mudanças. “Estamos trabalhando normalmente, mas afastamos os grupos de risco e alguns funcionários também estão fazendo home office. Além disso, dentro da fábrica estamos tentando evitar o cruzamento de pessoas na linha de produção, bem como nos refeitórios, banheiros e vestiários”, ressalta.

Outra medida adotada foi a triagem dos colaboradores ao chegarem no recinto. “Todos os funcionários antes de entrarem passam por um processo de descontaminação caso tenham contato com o vírus no trajeto de suas residências até a fábrica”, conta Romanato, reiterando que todos os cuidados possíveis estão sendo tomados.

No setor logístico, o funcionamento segue praticamente normal, exceto pelo aumento da demanda de setores específicos. É o que afirma o diretor de Infraestrutura Logística do Ciesp, Gilson Pichioli. “O setor alimentício teve um aumento de aproximadamente 10% em suas produções. Isso se deve à corrida para que não haja desabastecimento nos mercados”, explica.

Em relação ao fechamento de fronteiras, Pichioli afirma que este não está sendo um problema. “O tráfego entre cidades está acontecendo normalmente. Contudo, alguns caminhoneiros estão apreensivos pelo fechamento dos comércios locais, como lanchonetes, pequenos mercados e pontos de paradas para alimentação”, relata.

MEDIDAS GOVERNAMENTAIS
O apoio governamental seria uma das saídas para que a crise não venha a afetar profundamente o setor industrial. “O governo poderia auxiliar com uma política de flexibilização de crédito para que haja fôlego financeiro para essas empresas. Além disso, postergar o pagamento de impostos, bem como o depósito do fundo de garantia ou mesmo conseguir por meio das estatais crédito também seria válido”, pontua Cereser, avalia o empresário lembrando que, a partir do momento que não houver vendas, haverá déficit no fluxo de caixa.

Para o diretor, o impacto econômico será inegável. “Com certeza teremos grandes reflexos, mas neste momento ainda não conseguimos dizer qual será o grau de intensidade”, alerta.


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