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Em Jundiaí a previsão é de 4 mil analfabetos

SIMONE DE OLIVEIRA | 15/09/2019 | 05:00

O mês de setembro marca a passagem do Dia Internacional da Alfabetização, lembrado no dia 8 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para incentivar o pleno letramento da população internacional. Apesar da melhoria do acesso às escolas, nos últimos 53 anos em diversos países ainda existem em todo planeta 750 milhões de jovens e adultos que não sabem ler nem escrever.

Com números baseados no Instituto Brasileiros de Geografia e Estatísticas (IBGE), projeta-se que Jundiaí, em 2020, deverá ter cerca de 4 mil pessoas consideradas analfabetas com 15 anos ou mais. Os números levam em consideração a população de 420 mil pessoas para o próximo o ano, segundo estimativas do economista Mariland Righi.

Apesar de ser um número aparentemente pequeno, os trabalhos para diminuir os índices não cessam. A proposta é que jovens e adultos retornem à sala de aula o mais rápido possível, independente da idade.

De acordo com a Unidade de Gestão de Educação (UGE) atualmente são 2,6 alunos matriculados no Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos, somando os de Ensino Fundamental 1, Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio.

Conforme conta a diretora da unidade, Carolina Copelli Tamassia Ricci, os trabalhos são para erradicar o analfabetismo na cidade.

“O programa Escola Inovadora tem investido em todos os segmentos, quer dizer, da Educação Infantil a Educação de Jovens e Adultos. Para nós é importante essa queda na quantidade de pessoas analfabetas no município, bem como o crescimento na procura pela Ensino Fundamental 1. Com o trabalho feito em relação a organização da carga horária de estudo e a ênfase no processo de alfabetização nos anos iniciais, Jundiaí caminha para erradicar o analfabetismo. É gratificante ver a alegria de jovens e adultos aprendendo a ler e a escrever.”

NADA É IMPOSSÍVEL
Aos 74 anos, Eloina Martins Pereira não se sente envergonhada de encarar a rotina da sala de aula. Pelo contrário. Se diz orgulhosa por ter aprendido a ler e escrever depois dos 70 anos. “Trabalhava na roça e só fui à escola apenas por três dias porque tinha que ajudar em casa, mas quando vim para Jundiaí com minha família tive a oportunidade de voltar a escola e fiquei muito feliz”, conta com orgulho.

Dona Eloina, natural de Montes Claros, diz que sua maior felicidade, além de ter conseguido tirar sua carta de motorista, é poder se comunicar com seus parentes por meio da internet. “Aprendi informática e consigo me virar bem.”

Para Josefa Júlia Marques, de 70 anos, ainda há um sonho a ser realizado: poder assinar sua carteira de trabalho, mas confessa com orgulho que só o fato de poder ajudar seus netos nas tarefas escolares, já a deixa feliz e satisfeita. “Eu ficava muito triste por não conseguir ajudar meus filhos ou ver as notas durante as reuniões. Também ficava constrangida por não conseguir ler o letreiro do ônibus para chegar em casa e precisava perguntar para outras pessoas. Era muito constrangedor”, conta.

ÍNDICES

No ano passado, 260 milhões de crianças e adolescentes não estavam matriculados nas escolas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, havia 11,3 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais de idade. Se todos residissem na mesma cidade, este lugar só seria menos populoso que São Paulo – a capital paulista tem população estimada de 12,2 milhões.

Já a taxa do chamado “analfabetismo absoluto” no Brasil é de 6,8%. Como ocorre com os dados internacionais, o analfabetismo não atinge a todos da mesma forma. “Na análise por cor ou raça, em 2018, 3,9% das pessoas de 15 anos ou mais – de cor branca – eram analfabetas, percentual que se eleva para 9,1% entre pessoas de cor preta ou parda.

No grupo etário 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das pessoas de cor branca alcança 10,3% e, entre as pessoas pretas ou pardas, amplia-se para 27,5%”, descreve nota do IBGE.


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