Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Em Jundiaí, distribuidoras de gás descartam repasse de 10%

Márcia Mazzei | 06/06/2020 | 05:41

A Petrobras anunciou esta semana um reajuste nacional de 5,3% no preço médio do GLP, o gás de cozinha, vendido pela estatal. Em São Paulo, a consequência desse aumento será dura e os botijões de 13 kg terão alta de 10%. Já em Jundiaí a boa notícia é para a dona de casa que não vai desembolsar um real a mais, pois não haverá repasse.

É o que garante a representante da Distribuidora de Gás Buriti, Fabiana Martins. Ela prefere lucrar menos do que deixar de vender. “Se eu repassar para o consumidor não consigo vender porque ninguém vai reajustar”, confessa.

Esta é a segunda alta consecutiva nos preços do produto. No dia 23 de maio, o reajuste médio foi de 5%, mesmo assim o GLP acumula queda média de 13,4% em 2020, segundo cálculos da Petrobras, pois nos primeiros meses do ano os preços sofreram quatro reduções provocadas pela desvalorização do barril de petróleo no mercado internacional.

Marcelo Adriano Brito, da Liquigás, também não pretende fazer nenhum repasse. “Neste momento é preciso ter bom senso. Como a Petrobras não tem nós pelo menos tentamos renegociar este aumento com a distribuidora e se não conseguirmos, assumimos a bronca”, diz Brito.
O consumo residencial, com os tradicionais botijões de 13 quilos, responde por cerca de 70% do mercado nacional de GLP. Apesar da redução média acumulada de 12% nos preços cobrados nas refinarias, para o consumidor o botijão tem se mantido na faixa dos R$ 70.

ORÇAMENTO
Com esta sequência de reajustes do gás de cozinha, resta saber até quando a dona de casa vai conseguir esquentar o leite, já que o impacto no orçamento é inevitável, segundo o economista, Mariland Righi. “O aumento do gás de cozinha irá afetar pessoas de várias classes sociais, porém as de baixa renda sofrem porque qualquer aumento é um impacto terrível. Como não temos aumento de salário, logo a nossa renda será diminuída. Todo mundo sofre com esse impacto”, afirmou.

Mesmo que não represente uma parte tão grande no contexto familiar, o gás de cozinha possui um impacto imediato no bolso pois não tem substituto. “Energia elétrica, água e gasolina quando aumentam a pessoa dá um jeito de economizar, mas o gás é um caso diferente. É um impacto que pesa na hora, especialmente pois o valor subia aos poucos na última década e agora teve um reajuste maior, explica Righi.

Para o terapeuta financeiro e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEF), Reinaldo Domingos, este reajuste é um ato errôneo e descabido. “Com o dólar em queda e o real valorizado, aumentar o gás enquanto milhões de brasileiros perderam parcial ou totalmente suas rendas pode provocar uma verdadeira calamidade pública”, comenta.

Domingos acredita que o Brasil já está em recessão e caminha para a depressão financeira. “Enquanto as empresas não voltarem a produzir, a situação do país ficará difícil. O problema da miséria é muito pior do que o vírus do novo corononavírus.”
De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a forte procura para estocagem por causa da pandemia é apontada como uma das explicações para as reduções não serem repassadas para o consumidor.

 


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/em-jundiai-distribuidoras-de-gas-descartam-repasse-de-10/
Desenvolvido por CIJUN