Jundiaí

Em Jundiaí, oito adolescentes aguardam na fila

A adoção tardia é uma exceção no Brasil. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que há no país 42.453 pessoas que desejam adotar, porém apenas 8,17% deles aceitam crianças com mais de oito anos de idade. E foi justamente pensando nesse público que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo criou em 2017 a campanha ‘Adote um Boa Noite’. Em Jundiaí são oito adolescentes que aguardam adoção, seis deles estão na campanha. Ainda de acordo com dados do CNJ, há no país 9.079 crianças que estão em abrigos e aguardam por uma família. Destes, 54,48% possuem irmãos, 25,33% possuem problemas de saúde e 64,14% têm mais de oito anos. A assistente social do Fórum de Jundiaí, Viviana Gualtieri, explica que a campanha existe desde 2018 na cidade e, apesar de se tratar de um processo de adoção mais simples, pois não há uma fila como para a adoção de crianças mais novas, ainda há resistência. “Nessa campanha, o procedimento de adoção é diferente do procedimento para adotar crianças pequenas. A pessoa interessada pode entrar no site do TJ e ver as crianças e adolescentes. Para se inscrever, a pessoa precisa mandar um e-mail para a Vara da Criança e do Adolescente, o técnico entrará em contato e será feita uma avaliação e a habilitação para a adoção. Temos oito adolescentes, sendo um com deficiência intelectual leve, um com problema de saúde e um que tem problema psiquiátrico e atraso cognitivo, mas está em tratamento. É mais difícil encontrar pretendentes que se disponham a cuidar de adolescentes com deficiência”, conta. [caption id="attachment_97683" align="aligncenter" width="1280"] Adolescentes da Associação Casa de Nazaré que aguardam uma família[/caption] O juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí, Jefferson Barbin Torelli reforça que o programa visa o apadrinhamento afetivo, mas nada impede que o padrinho ou madrinha possa adotar, de fato. “O que procuramos fazer é a sensibilização para a importância da adoção tardia. O jovem que está na adoção já perdeu tudo, não tem um vínculo familiar, então não tem perspectivas quando atingir a maioridade e precisar seguir a vida”, diz.

O AMOR NASCEU

Sem se identificar por conta dos trâmites do processo de adoção, Cláudia (nome fictício) conheceu o “Adote um Boa Noite” por acaso e se apaixonou por quatro irmãos. “A gente sonhava em adotar e já tínhamos pensado na adoção tardia, mas seria apenas duas crianças, mas quando fui fazer uma pesquisa sobre o processo de adoção, eu vi a foto dos irmãos e me apaixonei”, diz Cláudia ao lembrar da adoção dos quatro irmãos, de 3, 7, 10 e 12 anos. Cláudia revela que no caso dela a adoção tardia foi tranquila. “As pessoas fantasiam a adoção, mas a gente adota porque quer ser mãe, quer ser pai, quem adota não é santo. Aqui em casa, os mais velhos foram mais fáceis que os mais novos. É besteira o preconceito, meu filho mais velho está do meu lado o tempo todo. O mais novo não me aceitava no início, foi um processo.” Viviana lembra que também há três adolescentes com mais de 18 anos que desejam ser adotados em Jundiaí. São dois irmãos, um com deficiência auditiva e outro com atraso cognitivo, e uma menina que tem deficiência intelectual. “Eles estão no abrigo porque não há vagas na residência inclusiva. Sempre que eu vejo eles, eles perguntam 'tia, já arrumou uma família para mim?’. Eles querem uma família”, diz a assistente social.

SERVIÇO

O site da campanha é o https://www.tjsp.jus.br/adoteumboanoite. Os e-mails para contato, caso haja interesse na adoção de alguma criança ou adolescente são [email protected] ou [email protected]

Notícias relevantes: