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Em Jundiaí procura dobrou em dois anos

COLABORAÇÃO DE GRAZIELLY COELHO | 16/05/2019 | 05:00

De acordo com o último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 9,7 milhões são brasileiros possuem deficiência auditiva, o que representa 5,1% da população do país. Na busca pela inclusão dessa parcela da população na sociedade como um todo, profissionais de Língua Brasileira de Sinais (Libras) encontram um promissor mercado de trabalho.

A função de Tradutor e Intérprete de Língua Brasileira de Sinais está regulamentada desde 2010, com a Lei nº 12.319 e, além da busca pela inserção do DA (Deficiente Auditivo) na sociedade, a atividade vem ganhando espaço no mercado de trabalho. Desde 2005, a língua de sinais é atividade obrigatória em cursos de formação de professores e profissionais da educação.

Segundo a intérprete e coordenadora do setor de Libras da Ateal (Associação Terapêutica de Estimulação Auditiva e Linguagem), Ketilen de Lima, 27, a procura pelo curso em Jundiaí aumentou consideravelmente nos últimos anos. “A procura dobrou em 2017 e cresce ainda mais a cada ano. Temos uma procura abrangente a todas as faixas etárias”, explica.

A especialista revela que o aumento significativo na busca pelo curso se dá, principalmente, pela busca de oportunidades no mercado de trabalho. “A demanda refletiu significativamente de 2018 pra cá, quando as faculdades passaram a ter Libras como uma disciplina optativa ou de grade para as licenciaturas”, diz.

A assistente administrativa de 48 anos, Andréa Bethiol, está cursando Libras há quase um ano e conta que apesar de não ter sido um requisito da empresa onde trabalha, é um grande diferencial na hora de conseguir um novo emprego. “Sempre me interessei, mas nunca tinha tido a oportunidade de aprender. Passei por uma situação uns anos atrás no centro da cidade em que uma mulher passou mal, parei para ajudar e a pessoa que estava com ela era surda. Agora fazendo o curso me deparo com muitos surdos e suas dificuldades em relação a comunicação. Mas acredito que isso está mudando”, revela Andréa.

A maior parte da demanda por intérpretes ainda é nas escolas e universidades, mas o mercado para estes profissionais não para de crescer. Empresas têm que, obrigatoriamente, destinar uma porcentagem das suas vagas a deficientes. A transmissão de informações como em campanhas eleitorais, alguns tipos de propagandas e eventos culturais também precisam ser traduzidas para os surdos e DA.

O estudante Gabriel Figueiredo, de 22 anos, começou o curso em março desde ano devido ao seu trabalho, mas também demonstra grande interesse pela inclusão. “Trabalho com um público com deficiência e surdos e faço a disciplina de libras que é oferecida pela Faculdade de Fonoaudiologia da Unicamp. Pretendo continuar praticando e estudando para uma causa maior.”

Cursos
Em Jundiaí, o curso pode ser feito na Ateal com o investimento de R$570. Com duração de 5 meses, oferece certificado aos alunos.

As aulas também estão disponíveis no Centro Municipal de Línguas e de Tecnologia de Informação Antonio Houaiss. Com duração de 1 ano e aulas realizados no período noturno, o curso está com inscrições abertas até dia 24 e maio. A disciplina é oferecida desde o ano passado e atualmente há duas durmas, cada uma com 30 alunos (uma turma iniciante e uma de nível avançado). Cerca de 300 pessoas já se inscreveram para a turma que terá início no segundo semestre. O curso é gratuito e há uma lista de espera.

LIBRAS  ANDREA BETHIOL


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