Jundiaí

Em meio à crise, vagas abertas e redescobertas

Em plena crise, Vagner Bianchi, conseguiu trabalho e mudou de profissão
Crédito: Reprodução/Internet
Emprego dos sonhos e uma carreira em ascensão. Tudo caminha como planejado até que a pandemia provocada pelo novo coronavírus atinge em cheio a empresa em que você trabalha. Resultado? Mais de 12 milhões de desempregados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Demissões que fizeram com que as pessoas se reinventassem em suas profissões, ou seja, ter um perfil profissional preparado para a nova realidade do mercado se tornou essencial. A professora da Escola de Negócios da Associação Comercial Empresarial de Jundiaí (ACE), Elaine Ninzoli, lembra que a crise deve ser encarada como uma oportunidade dos profissionais promoverem uma espécie de ‘limpeza nas gavetas’. É tempo de descartar o que não faz sentido, valorizar aquilo que tem potencial e se renovar com as novas tendências de mercado. “É o que chamamos de autodesenvolvimento, ou seja, descobrir quais são os pontos fortes, as limitações e o que precisa ser aprimorado”, explica a professora. [caption id="attachment_98033" align="aligncenter" width="800"] Consultora de RH, Elaine Ninzoli, diz que a crise é para o aprimoramento[/caption] Muitos candidatos terão exigências técnicas, mas todos serão cobrados quanto suas habilidades comportamentais. “Durante a entrevista, as competências pessoais, como empatia, a forma como o candidato lida com a crise e emoções, serão determinantes durante o processo seletivo”, diz. Na empresa, a perspectiva também é de mudança. “A comunicação assertiva passa a ser a palavra-chave, especialmente às que adotarem o modelo home office”, orienta. O maior legado que esta crise deixa ao mundo corporativo é a importância de se preparar para momentos de dificuldade. “Esta lição inclui muitos empresários que, assim como nós, profissionais, precisamos aprender a adotar o planejamento no nosso dia a dia e não só na recessão”, alerta.

RETORNO

Em meio à crise e ao caos, conseguir emprego parece uma missão impossível, mas não para a analista financeira, Débora Green, de 44 anos. Após 1 ano e 10 meses fora do mercado de trabalho, ela conseguiu uma recolocação na mesma empresa que foi dispensada em julho de 2018. Sorte ou destino? Débora prefere acreditar em aprimoramento e, seguindo a dica de especialistas, melhorou o seu perfil em um site de emprego que impulsionou sua visualização. “Minha antiga gestora me procurou e, sabendo que eu estava desempregada, me convidou para trabalhar com ela novamente. Retornei à empresa em maio”, conta satisfeita. Débora estava prestes a ‘jogar a toalha’ e nem imaginava que em meio à pandemia iria conseguir um emprego. “Acredito que ter objetivos claros e manter uma postura sempre profissional pesa no momento da contratação”, acredita. [caption id="attachment_98034" align="aligncenter" width="800"] Após 1 ano e 10 meses fora do mercado, Débora Green volta a trabalhar[/caption] A coordenadora executiva comercial da Rhadar Recursos Humanos, Vanessa Aquino, concorda. Não houve mudança no critério de avaliação como um todo, mas na forma de avaliação com os processos seletivos on-line. “Hoje empresas abrem vagas em caráter extraordinário e o comprometimento do candidato permanece com um dos principais critérios”. O segmento logístico de e-commerce foi importante para o aumento significativo de vagas. “Estima-se um aumento de 40%, aproximadamente, em número de vagas desde o início da pandemia. A maioria direcionada a operação logística”, relata Vanessa.

ESTAMOS CONTRATANDO

Mesmo neste cenário adverso, em que empresas suspenderam seus processos seletivos, especialistas garantem que é possível arrumar emprego. Para ter sucesso na empreitada, é preciso considerar as exigências e procurar no lugar certo. Os setores em que há vagas são os relacionados com aqueles que o consumidor mais procura neste momento. A construção civil, por exemplo, tem sido um deles. Sempre há alguém que aproveitou o isolamento para reformar aquele cômodo esquecido da casa. Para se ter uma idéia, o Grupo Astra, voltado para o segmento de materiais para construção, aumentou as vendas, retomou o crescimento e gerou empregos. O gerente de Recursos Humanos da empresa, João José Storari, lembra que a indústria foi o primeiro setor da economia a se recuperar da crise provocada pela pandemia. "No caso da Astra, com a curva de crescimento em ascensão, tivemos a necessidade de contratação. Hoje o efetivo da empresa é maior do que no início da pandemia". Neste quadro de funcionários está Vagner Garcia Bianchi, de 42 anos. Após 1 ano na fila dos desempregados, este operador de áudio conseguiu, em plena crise econômica, migrar de empresa. "A oportunidade surgiu e, claro, resolvi aproveitar. Estamos no meio de uma crise e a minha formação do Ensino Médio é incompleta, o que dificultou minha inserção ao mercado de trabalho”, diz. O exemplo de Bianchi comprova que há oportunidade durante a pandemia, porém quem busca trabalho agora verá que o processo de seleção mudou. "Tudo se tornou virtual, o envio de currículo e o teste se dão por meio do nosso site e o selecionado faz o teste por meio do aplicativo de WhatsApp”, comenta Storari. [caption id="attachment_98035" align="aligncenter" width="800"] Em plena crise, Vagner Bianchi, conseguiu trabalho e mudou de profissão[/caption]  

Modulinho como porta

Apesar do cenário, há setores da economia que, na contramão da crise, apostam na retomada do crescimento econômico ou já estão se reinventando. Prova disso, é que muitas empresas têm feito anúncios de investimentos e geração de novos empregos. O caderno Modulinho Empregos, que circula junto às edições do Jornal de Jundiaí aos sábados e domingos e permanece no Portal JJ (www.portaljj.com.br), é outro bom exemplo de um futuro promissor. Os anúncios de vagas de emprego aumentaram 40%, especialmente depois que a Região de Jundiaí avançou de fase no Plano SP de flexibilização, que permitiu a abertura do comércio e serviços não essenciais. Entre os anúncios, setores de destaque são os de logística, transporte, metalúrgica e vendedores.

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