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Empreendedorismo de necessidade é alternativa à crise; conheça

VINÍCIUS SCARTON | 22/07/2018 | 03:45

O desemprego aliado à crise econômica que atinge o país tem refletido diretamente na vida de muitas famílias. Em busca de uma fonte de renda, o empreendedorismo aparece como 70% da alternativa. É o chamado empreendedorismo de necessidade. Este também é o novo foco do FUNSS (Fundo Social de Solidariedade) de Jundiaí, que tem buscado fugir do assistencialismo para ampliar os cursos com qualificação rápida para quem está desempregado. De acordo com o consultor Thiago Alexandre Brandão Farias, o empreendedorismo ajudou a tirar o Brasil da crise econômica dos últimos anos. “Notamos que desde 2015 houve um aumento acima do normal pelo empreendedorismo por necessidade. Hoje, mais de 70% das pessoas que querem abrir o próprio negócio buscam isso por necessidade e não por oportunidade”, explica.

Farias ressalta ainda que, a partir de um levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) realizado em 2017, mais de 77% das vagas formais geradas no ano foram criadas por micro e pequenas empresas. “Ou seja, o empreendedorismo é parte da solução e mostra que a partir da criação de novos negócios são geradas novas vagas de emprego que contribuem com a economia do país”, diz. Já o economista Messias Mercadante lembrou que sem os empreendedores, o país não cresce, não gera emprego e o governo não arrecada impostos. “Sem empreendedores, o futuro de qualquer País será muito difícil, um fracasso. Eles são responsáveis por reanimar a economia e também a economia mundial”, comenta.

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FUNSS
Desde que assumiu a presidência do FUNSS, em 2017, Vanessa Machado constatou que o mesmo tem potencialidade de ir além do assistencialismo às famílias em situação de vulnerabilidade. “Para colocar isso em prática e contribuir para o fortalecimento das famílias que vivem em Jundiaí, nada mais adequado que oferecer, gratuitamente, qualificação profissional”, descreve. Segundo o prefeito Luiz Fernando Machado, a atuação do FUNSS tem proporcionado oportunidades para as pessoas, a fim de que as mesmas possam assumir o protagonismo em suas vidas. “O FUNSS deixou de ter uma visão estritamente assistencialista para ampliar a sua linha de atuação em benefício das pessoas. Entendemos que o acesso à cidadania ocorre por meio da oportunidade de emprego”, complementa.

Em 2017, de janeiro a dezembro, o FUNSS ofereceu 2.106 vagas em mais de 50 cursos gratuitos de qualificação profissional, superando os anos de 2014, 2015 e 2016, quando foram disponibilizadas 945, 770 e 705 vagas, respectivamente. Neste ano, de janeiro a julho, o FUNSS já abriu 1.932 vagas. Até agora, 1.900 se inscreveram em um dos 68 cursos gratuitos de qualificação profissional nas modalidades de beleza (manicure, pedicure e cabeleireiro), moda (corte e costura), gastronomia (padaria artesanal, bolos, doces e salgados), informática, serviços, artes, música e eletricista. Destes, 1.685 receberam o certificado de conclusão e estão prontos para o mercado de trabalho.

SUPERAÇÃO
Deise Cristina Penteado Matias, de 32 anos, frequentou vários cursos durante o ano de 2017. A relação da dona de casa com o Fundo Social de Solidariedade foi motivada por uma dificuldade familiar, quando em janeiro de 2017, o seu esposo Jefferson perdeu o emprego, sendo a única fonte de renda e com a responsabilidade de criar os três filhos, além de assumir as contas do financiamento da casa e do carro. Sem tempo para pensar, logo que soube da existência dos cursos gratuitos fez a inscrição e levou o marido também. “Por lá desenvolvemos todo o aprendizado e começamos a gerar renda, através da comercialização de pães, bolos, doces e salgados, através dos cursos de culinária básica, confeitaria, padaria artesanal, entre outros”. Segundo Deise, o período em que esteve participando dos cursos foi importante para a união do casal, contribuindo para o lado financeiro, além das novas amizades. “Hoje, o Jefferson voltou para a sua área de origem (metalurgia) e sigo recebendo encomendas dos meus produtos”, destaca.

BATALHADORA
Ofélia da Silva Lima, de 45 anos, descobriu os cursos através das redes sociais e conseguiu unir o útil ao agradável em sua vida, após passar por desemprego e optar por fazer um curso de manicure e pedicure. “Eu conclui o curso em abril deste ano e a experiência foi muito boa, afinal, pude aprender sobre a nova área e passei a atuar profissionalmente com isso, atendendo em domicílio e também em um estabelecimento de uma amiga”, descreve.Para ela, as aulas são ótimas, assim como os professores, que estão sempre dispostos a tirar dúvidas e orientar os alunos.

PERSISTENTE
Eliana de Fátima Martins, de 30 anos, tinha o desejo de aprender a fazer bolos e doces e a persistência foi a principal aliada para ingressar e concluir diversos cursos no FUNSS. “Ao longo dos últimos quatro anos participei dos cursos de salgados, doces, panificação, confeitaria e chocolate. Agora estou fazendo o curso de salgados novamente”, disse. Segundo ela, colocar em prática o aprendizado é a maior realização. “Além disso, vendo bolos e doces para festas de aniversário, gerando uma renda extra no orçamento familiar”, resume.

Arquivo: Jornal de Jundiaí

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