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Emprego doméstico recua no Brasil, aponta IBGE; entenda o cenário em Jundiaí

vinícius scarton | 05/08/2018 | 05:51

Recente levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o emprego doméstico voltou a encolher no país. Os dados mostram que 6,137 milhões de pessoas que trabalhavam na função até maio deste ano – em vínculos formais e informais, como diaristas ou mensalistas estão 233 mil a menos do que no fim do ano passado. A lenta recuperação da economia e o mercado de trabalho nada animador são alguns dos motivos que contribuíram para o atual cenário, pois muitas famílias estão abrindo mão do empregado doméstico para assumir os afazeres do lar.

Em Jundiaí, a presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos (Sindoméstica), Érica Aparecida Santos Bernardes ressalta que de janeiro a junho de 2018, comparado ao mesmo período de 2017 houve um aumento de 3,1% de trabalhos formais e redução de 18,4% de pessoas que atuam com vínculos informais. “Os números refletem diretamente o quadro associativo do sindicato. No ano passado, haviam 4.717 profissionais atuando com trabalho formal e 2.100 pessoas na informalidade. Hoje, são 4.897 trabalhadores formais e 1.713 que atuam com vínculo informal”, descreve.

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

Com relação ao cenário nacional, a presidente do sindicato afirma que Jundiaí não tem sentido o impacto negativo, devido a convenção coletiva de trabalho, que ajuda tanto o empregado quanto o empregador. “Quando houve o impacto da crise, a renda do empregador diminuiu. No entanto, com os acordos coletivos e com a anuência das empregadas domésticas, foi possível reduzir a jornada de trabalho, diminuindo os encargos do empregador. Em contrapartida, o funcionário passou a encaixar faxinas nesta redução de jornada”, explica.

Érica também reforçou que o pós-crise está estabilizado no cenário doméstico em Jundiaí. “Em 2015 ocorreram 150 demissões. No ano seguinte, 75. Já entre os meses de janeiro a julho de 2017 ocorreram 40 demissões e no mesmo período deste ano 4”, confirma. A presidente do Sindoméstica comentou que foram firmados de janeiro a julho de 2017, 50 acordos de 12 por 36 e 180 acordos de redução de jornada para evitar demissões. “Neste ano firmamos 23 acordos de 12 por 36 e 75 acordos de redução de jornada”, elenca.

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Especialistas
O economista Messias Mercadante avaliou a situação do país e a redução de vagas para trabalhadores domésticos. “Muitas pessoas que trabalhavam fora de casa precisavam de profissionais para cuidar de suas residências. No entanto, com o aumento do desemprego gerado nos últimos anos, essas contratações foram reduzindo, como um verdadeiro efeito cascata, sendo que muitos assumiram as tarefas e passaram a efetuar os serviços por si próprios”, resume. Já o advogado trabalhista Thales Messias afirmou que, diante de uma recessão econômica, o primeiro movimento de todos os setores é reduzir o número de empregados. “Isso reflete no aumento do número de desempregados e no aumento de trabalhadores informais ou autônomos”, comenta.

Realidade
O psicólogo Claudio Cangiani (49) ressaltou que por cinco anos contou com os serviços de uma empregada doméstica, pois a vida corrida de trabalho, estágio e estudos não permitia que tivesse tempo para cuidar da limpeza da casa. “A atividade exercida por essa funcionária era essencial e ocorria a cada 15 dias. No entanto, com o passar do tempo, as prioridades da minha vida foram alteradas e depois que mudei de residência, já não tinha mais o estágio e nem os estudos, podendo cuidar da minha casa”, explica.

Hoje, Cangiani não possui nenhuma profissional que exerça tal atividade em sua residência, pois está reformando o local e os gastos são altos. “Porém, no futuro espero contratar essa mesma funcionária do passado, afinal, trata-se de uma ótima pessoa”, disse. A vendedora Eudines Luiz Alves (64) teve funcionária doméstica por mais de 30 anos. “Foi um tempo em que conseguia manter esse tipo de serviço em minha residência com muita tranquilidade. No entanto, a crise financeira mudou as prioridades da minha vida e na atualidade cuido da casa, aliado ao trabalho de vendas”, ressalta.

Sueli Roque (51) trabalhou em diversas áreas, mas há três tem atuado com serviço doméstico informal na cidade. Segundo ela, as vagas para essa área estão cada vez mais limitadas. “Noto que muitas pessoas estão optando por cuidar das suas próprias residências, pois estão sem dinheiro em virtude da crise e cortando alguns gastos”, opina.
Ela também afirmou que ainda sonha com trabalho formal dentro desta área. “Ainda luto por esse sonho, pois desejo ter os benefícios como qualquer outro profissional”, disse.


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