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Empresas de táxi-aéreo priorizam a fiscalização

SOLANGE POLI | 29/05/2019 | 05:01

A queda do avião em que viajava o cantor Gabriel Diniz, na última segunda-feira (27), em Sergipe, causou comoção e mais uma vez trouxe à tona a questão da segurança nos voos de táxi-aéreo. A investigação sobre o fato do avião não ter autorização para o transporte de passageiros deixa em alerta o setor de aviação e todos que utilizam ou venham a utilizar o serviço, seja a passeio ou a trabalho. O transporte clandestino tornou-se um pesadelo e um dos grandes dilemas é a fiscalização, que segundo especialistas, precisaria ser mais rígida também para aeronaves particulares.

O diretor-geral da Associação Brasileira de Táxis-Aéreos e de Manutenção de Produtos Aeronáuticos (Abtaer), comandante Domingos Afonso Almeida, lembra que são muitas as exigências para evitar riscos. “É preciso, por exemplo, investir em um programa de treinamento adequado e também de manutenção das aeronaves. A Anac faz muitas exigências, como um programa de prevenção ao uso abusivo de drogas e álcool, plano de assistência às vítimas, seguros para passageiros e tripulantes, entre outros itens da regulamentação aeronáutica”, explica o diretor, que também é piloto, oficial aposentado da Força Aérea Brasileira e já atuou durante 22 anos na investigação de acidentes aéreos. “Tudo isso tem um custo e o piloto precisa também cumprir todos os requisitos, com um contrato de trabalho. A aeronave precisa estar aeronavegável, em condições regulares de funcionalidade”, diz.

Na análise sobre o acidente com o cantor, o comandante ressalta que aguarda os resultados das investigações pelos setores competentes, mas um fato que lhe chama a atenção é que se a aeronave acidentada pertencia a um aeroclube, não deveria ser usada senão para instrução.

“O piloto não poderia voar pela regras de voo por instrumento, somente em condições visuais, e as condições do tempo não estavam boas. Pode ter entrado em desorientação espacial”, comenta. Ainda segundo ele, na manutenção é exigida a emissão de um certificado que comprove as condições adequadas da aeronave. A Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, cumpre, cobra e exige rigorosamente todos os requisitos das empresas de táxi-aéreo. “Já com aviões particulares não vemos o mesmo tipo de fiscalização, pesando a responsabilidade sobre os proprietários”, explica. A Abtaer, segundo o diretor, reúne cerca de 50 empresas associadas, com aeronaves de vários tipos, de pequeno e médio porte, além de helicópteros.

Segundo as regras da Anac, as aeronaves homologadas para realizar este serviço devem ter um adesivo, normalmente próximo à porta ou em local bem visível, de preferência em preto, escrito “táxi-aéreo”.

EM JUNDIAÍ
Rodrigo Edson Silva, gestor de segurança operacional da Two Flex, empresa de táxi-aéreo instalada em Jundiaí, há cerca de 12 anos no mercado, lembra que como as demais a empresa cumpre várias normas da Anac, desde a manutenção preventiva para a segurança de voo até o treinamento dos pilotos. “A cada seis meses a Anac vem até a empresa para fiscalizar o cumprimento das exigências. Sabemos que o mesmo não ocorre com as aeronaves particulares, quando essa fiscalização já é mais limitada e dificultada”, salienta.

Na Two Flex, segundo o gestor, são investidos em média R$ 20 mil mensalmente em treinamento, contando com simulador próprio em solo e em voo, o que também é uma obrigatoriedade segundo o regulamento da agência. A empresa opera com dois modais, transporte de passageiros e de cargas, com uma frota atual de 18 aeronaves.

Anac toma providências

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que suspendeu cautelarmente as operações do Aeroclube de Alagoas e interditou as 9 aeronaves pertencentes à empresa devido ao acidente do dia 27, em Sergipe. A aeronave, de matrícula PT-KLO, da fabricante Piper Aircraft e de propriedade do Aeroclube de Alagoas, estava registrada na categoria Instrução e não poderia prestar serviço fora da sua finalidade, incluindo o transporte remunerado de pessoas.

Antes de contratar o serviço, passageiros podem pesquisar o prefixo da aeronave no site da Anac (www.anac.gov.br) para ver se ela pode transportar passageiros mediante remuneração. Também devem pesquisar se a empresa que presta o serviço tem autorização para isso.


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