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Endometriose atinge 30% das mulheres férteis

ISABELA CRISTÓFARO | 17/03/2019 | 05:05

Maria Isabel Müller Formico, 36, descobriu há dez anos que tinha endometriose. Passou por vários exames e médicos, mas sem respostas concretas. “Minha ginecologista, na época, desconfiou de endometriose e pediu um exame mais detalhado, uma ultrassonografia mesmo, e o resultado foi suspeita de endometriose”, diz.

Março é considerado o mês de conscientização da endometriose, doença que atinge 30% das mulheres, segundo o Dr. Juan Melgar, médico coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Universitário. “Os sintomas começam a aparecer logo nas primeiras menstruações com cólicas fora do normal e ciclos menstruais dolorosos”, diz.

A endometriose é considerada uma alteração patológica do corpo na qual há um processo inflamatório na camada que reveste a parede do útero, o endométrio, que, em vez de ser expelido, volta para a cavidade pélvica e para trompas. À medida que o endométrio cresce no sentido oposto, o sangue fica retido podendo alcançar também as alças intestinais e a parede pélvica”, explica o médico.

Quanto ao tratamento, o Dr. Juan Melgar explica que a mulher é medicada para parar de menstruar com pílulas anticoncepcionais. Além disso, cita a questão da importância de uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos durante o tratamento. No caso de Maria Isabel, além do medicamento que tomava para evitar a menstruação, começou a fazer natação para amenizar as dores que sentia, após a realização da primeira cirurgia.

Daiane Moraes, 27, menstruou pela primeira vez aos nove anos. A designer de interiores descobriu a doença há oito meses, quando teve cólicas renais fortes do lado esquerdo. “Suspeitaram de pedra no rim e, através de inúmeros exames, identificaram a endometriose profunda, pegando toda a parte do útero, intestino e ureter esquerdo.”

De acordo com o médico, a doença pode ser classificada como moderada e grave. À medida que a doença não é cuidada, ela pode evoluir, fazendo com que as mulheres sintam dores mais intensas, inclusive nas relações sexuais. O especialista fala também sobre a infertilidade. “Isso acontece quando a doença não é cuidada e quando ela está no estágio médio para moderada, porque como as trompas podem estar obstruídas. É essa aderência que impede o fluxo normal”, esclarece.

As mulheres que apresentam sintomas como cólica menstrual forte, dor na relação sexual, infertilidade, dor ao defecar ou ao urinar e sangramento na urina ou nas fezes devem procurar um médico para que o profissional avalie a possibilidade dela ter a doença. A comprovação é realizada por exames que apresentam lesões no endométrio.

Por se tratar de uma enfermidade crônica, a endometriose não tem cura. No entanto, os tratamentos e medicamentos sugeridos pelo médico podem melhorar a qualidade de vida da paciente, principalmente nos sintomas clínicos.

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