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Endometriose pode ser silenciosa, mas é grave

Mariana Checoni | 08/12/2019 | 07:00

A endometriose, que atinge cerca de sete milhões de mulheres no Brasil, é uma doença caracterizada pela presença do endométrio – tecido que reveste o interior do útero – fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos como trompas, ovários, intestinos e bexiga, podendo ainda atacar pulmões e até o coração.

De acordo com o ginecologista Rogério Bonassi Machado, a endometriose não possui uma causa definida. Várias teorias procuram explicar o que ocorre para o aparecimento da doença, mas nem todas explicam completamente sua origem. “Acredita-se que existe um fator genético ou familiar que pode ser somado a uma resposta mais exagerada aos hormônios no endométrio ectópico (fora do útero) em mulheres com endometriose, que ainda podem apresentar problemas imunológicos, originando a doença”, explica.

Bonassi afirma que a endometriose é uma doença que pode se manifestar de diversas formas, podendo aparecer sem nenhum sintoma ou de maneiras mais graves. “Quando existem queixas clínicas, o sintoma mais comum é a dor, tipo uma cólica menstrual, mas pode ocorrer em vários períodos, não somente durante a menstruação. Outro sintoma comum é a dor durante o ato sexual. Além disso, muitas mulheres descobrem a endometriose durante pesquisa de causas de infertilidade. Dores ao urinar ou evacuar também são queixas comuns”, explica.

A empresária Sara Giora, de 41 anos, descobriu a doença após ter que se submeter a uma cirurgia por conta de um rompimento de cisto hemorrágico há 3 anos. “A cirurgia teve que ser aberta e não por vídeo. O médico que me operou disse que eu estava com alguns focos de endometriose e ele teria retirado na própria cirurgia”, conta.

Desde então, a empresária começou a fazer exames de rotina de seis em seis meses e, em janeiro do ano passado, teve uma surpresa: um dos exames mostrou que vários órgãos estavam tomados. “A endometriose atacou útero, ovário, trompas e parte do intestino. A partir disso foi uma luta”, revela.
Sara conta que o médico afirmou que ela precisava retirar os órgãos afetados, pois somente os focos da doença não seriam suficientes, mas o convênio não aprovou o procedimento por uma questão ética.

“Eles não aceitaram, pois disseram que eu teria muitas sequelas se retirasse todos os órgãos afetados. Meu médico tentava explicar que era necessário, pois somente retirar os focos não era suficiente, e que a endometriose voltaria a atacar os órgãos”, explica.

Sara entrou então com processo judicial e ganhou. Conseguiu realizar a cirurgia em junho, após meses de sofrimento. “Sentia dores diárias, fadiga, vivia na base da morfina, estava muito inchada, minha barriga estava enorme, eu e toda a família estávamos entrando em desespero, pois é uma situação que mexe com todos”, relata.

A cirurgia de retirada durou mais de 9 horas, mas, após todo o sofrimento, a empresária se curou.

COMA

A história da gerente de loja Gláucia Cristina Fineto, de 39 anos, com a doença também foi bem séria. Ao realizar um tratamento para tentar engravidar, sofreu um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) e entrou em coma. Quando acordou, no processo de recuperação, começou a ter dores e descobriu a endometriose. “Fui no ginecologista e os exames mostraram a endometriose no ovário esquerdo. Fiz uma laparoscopia e retirei metade do ovário. Mesmo após a cirurgia, ela foi crescendo e tomou todo o útero e a primeira camada do intestino”, conta. Gláucia sofre com dores até hoje e, em breve, passará por cirurgia para retirar o útero e uma parte do intestino. “Até hoje sofro com dores na barriga, na pelve, na lombar e, por conta do AVCH, onde fiz uma cirurgia na cabeça e não passa oxigênio, dores de cabeça também. Estou em tratamento e vou retirar o útero e a primeira camada do intestino no ano que vem”, afirma.

Apesar do caso de Gláucia, o ginecologista explica que nem sempre é necessária a retirada dos orgãos. O tratamento é focado na interrupção do ciclo menstrual, que pode ser feito por meio de hormônios associado ou não a cirurgias, quando existem lesões chamadas endometriomas, que são pseudo tumores provenientes do crescimento da endometriose.

“Os tratamentos não curam a endometriose, mas levam ao alívio ou mesmo à interrupção dos sintomas por vários anos. Após a menopausa, devido a diminuição dos hormônios femininos, há grande melhora e praticamente o desaparecimento dos sintomas”, explica Bonassi.

 


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