Jundiaí

Ensino médio flexibiliza e dá autonomia a alunos

REFORMA DO ENSINO MEDIO RAINER CRISTOPHER SIQUEIRA DE SOUZA
Crédito: Reprodução/Internet
Para conter a evasão escolar no ensino médio, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo implanta a partir de 2021 o novo currículo do ensino médio. O ex-integrante do Conselho Nacional de Educação, Eduardo Deschamps, diz que, além do esforço para manter os jovens na escola, existe também a questão de dar prosseguimento à formação educacional. "O novo currículo já iria ajudar a reduzir a evasão em condições normais. Com a pandemia, mais ainda. O aluno que não perceber que o ensino médio é algo que passou a ser diferente, algo mais focado em desenvolvimento de vida e competências socioeconômicas, pode evadir. A mudança pode não só eliminar evasões novas, mas trazer de novo à escola quem deixou de estudar este ano", analisa Deschamps. Jean Douglas Rodrigues, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFSP) - Campus Campinas acredita que a proposta do novo ensino médio é equivocada e não condiz com a realidade. “Há tempos a escola deixou de ser atrativa, além de condições precárias, a instituição de ensino compete com o mercado de trabalho e perde feio.” Segundo o último Censo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), alunos do ensino médio despontavam como campeões em reprovação (7,5%) e abandono (3,2%), se comparado ao ensino fundamental. Para tentar reverter este cenário e manter o aluno em sala de aula, a proposta é criar uma escola que “dialogue com a realidade da juventude e se adapte às necessidades dos estudantes”. Rodrigues ressalta que este diálogo poderia incluir o período pré-elaboração do currículo. “Da forma como está sendo colocado, padroniza, engessa a educação e cria um mercado educacional”. Já Deschamp reforça que uma das expectativas da reforma do ensino médio é dar mais significado ao estudantes. “É uma etapa que apresenta evasão maior, principalmente no primeiro ano. A expectativa é que com um ensino médio mais atrativo, o impacto da pandemia na seja menor." FLEXIBILIZAÇÃO O currículo do ensino médio paulista está estruturado em 3.150 horas, distribuídas em um período de três anos. Do montante total de carga horária, 1.800 horas são destinadas à formação básica e o restante, 1.350 horas, aos itinerários formativos. Estes itinerários terão mais do que a carga mínima prevista na legislação, que é de 3 mil horas. Por aqui, as instituições de ensino começam a se preparar, como o Colégio Divino Salvador, segundo conta o coordenador pedagógico do ensino médio, Rodrigo Lopes de Oliveira. “Esta é uma mudança que envolve toda a estrutura interna e será implantada por completo até 2023.” Na formação geral básica, os estudantes terão os componentes curriculares divididos em áreas de conhecimento como linguagem e suas tecnologias (língua portuguesa, artes, educação física e língua estrangeira); matemática; ciências humanas e sociais aplicadas (história, geografia, filosofia e sociologia), ciência da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física). “É importante que fique claro, aqui nada mudou, até por fazer parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que envolve todos os alunos.” Na carga horária referente aos itinerários formativos, o estudante precisa escolher uma ou duas áreas de conhecimento da formação geral para aprofundar seus estudos. Para Oliveira é aí que os alunos podem sentir dificuldade no momento da escolha. “Enquanto educadores precisamos nos atentar quanto ao critério que vão usar para escolher os itinerários, para que não optem pelas disciplinas mais fáceis.” Oliveira não ignora o despreparo dos jovens para escolher o que estudar. “Mas para isso, vale lembrar, que é dado a este estudante a oportunidade dele deixar aquela disciplina e optar por outra. Isso traz uma tranquilidade.” O que dizem os únicos interessados A previsão é de o currículo seja adotado progressivamente aos alunos da 1ª série do ensino médio no próximo ano. A partir de 2022, para os estudantes da 2ª série, e consequentemente, para a 3ª série no ano de 2023. Rafaela Todisquini está na reta final do ensino médio, cursa o 3º ano na Fundação Antônio Antonieta Cintra Gordinho e agradece por não fazer parte desta parcela de jovens que terão a oportunidade de usufruir do novo currículo. “Acredito que mais interessante do que inserir novas disciplinas, seria aprofundar o conteúdo básico”. Cassiani da Silva Coutinho, 16 anos, está no 1º ano do ensino médio, ao contrário, considera um privilégio escolher o que estudar. “É sempre importante ampliar o currículo. Porém penso que teria que reforçar as principais matérias que seria português e matemática, pois são essenciais os alunos não dão preferência. Já Rainer Cristofher de Souza, que está no 3º ano, elogia a mudança do currículo, mas faz ressalvas. “Estou quase finalizando, mas a impressão que tive é de que muito do que aprendi não vou usar no meu futuro profissional.” [caption id="attachment_98814" align="aligncenter" width="800"]  [/caption] Se o assunto é futuro, a gestora de Recursos Humanos Carolina Malerba observa que o jovem que chega ao mercado para disputar uma vaga apresenta algumas carências. “Falta orientação, formação, estar informado”. Para ela esta reforma pode comprometer o futuro do jovem. “O mercado exige um profissional que saiba de tudo, que seja completo”.

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