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Ensino remoto enriquece o currículo de alunos e professores

Nathália Sousa | 03/05/2020 | 06:00

As aulas presenciais nas escolas estaduais e particulares estão suspensas desde o final de março em todo o Estado, inclusive em Jundiaí e, para não deixar alunos e professores sem a interação didática, as unidades tiveram que alterar sua rotina de trabalho para dar continuidade ao currículo escolar.

A Secretaria Estadual de Educação, por exemplo, divulgou na última segunda-feira (27) um novo calendário escolar que prevê validar atividades remotas na carga horária obrigatória de ensino anual. Desde o dia 3 de abril, o governo estadual lançou o Centro de Mídias da Educação de São Paulo (CMSP), plataforma que permite o acesso dos alunos a aulas ao vivo, vídeoaulas e outros conteúdos pedagógicos durante o período de quarentena.

Há aplicativos do CMSP para alunos do ensino infantil ao médio. Há também uma parceria com a TV Cultura, que passou a transmitir as aulas por meio dos canais digitais 2.2 na TV Univesp e 2.3 na TV Educação. Para os alunos que estão prestes a encarar uma universidade, toda ajuda é de extrema importância. Ingrid Eduarda Gonçalves Pelarin, de 16 anos, está no último ano do ensino médio de uma escola pública. A garota conta que, mesmo acompanhando as aulas remotamente através do CMSP, ainda tem apoio dos profissionais da escola onde estuda.

“Os professores estão abertos para tirarem dúvidas. Até fora do período de aula, você manda qualquer dúvida e eles sempre ajudam e se dispõem a responder”.

Ingrid prestará o Enem e vestibulares no final do ano. Ela sonha em ser psicóloga e em passar no vestibular da Universidade de São Paulo (USP). Para isso, ela se prepara todos os dias e ajuda os amigos, já que criou um grupo no WhatsApp para enviar conteúdos das disciplinas escolares e referentes ao Enem. “Quanto mais a gente foca, melhores serão as notas. Minha expectativa é estudar bastante para conseguir atingir boas notas nas provas e vestibulares”, espera ela.

Segundo a Secretaria de Educação, toda a rede estadual está tendo aula mediada pela tecnologia e o acesso aos aplicativos da CMSP têm consumo de internet custeado pelo estado. Escolas particulares também adotaram as vídeoaulas e a disponibilização de conteúdo on-line, através de plataformas de ensino ou de aplicativos de vídeochamadas.

E se a rede estadual tem incluído plataformas e orientações para não deixar seus alunos sem conteúdo, a rede particular também desenvolve e implementa aplicativos e outras ferramentas para continuar com o conteúdo. Para os alunos, uma rotina importante para que o ano não fique perdido.

Maria Eduarda Corrêa Rennó Carvalho, de 17 anos, é estudante do último ano do ensino médio em uma escola particular de Jundiaí e tem sentido a diferença ao introduzir o ensino remoto em sua rotina. Ela conta que sentiu dificuldades no início, mas, depois de algumas semanas, conseguiu se adaptar melhor.

Apesar da tensão social em torno da situação de pandemia, conseguiu desenvolver habilidades com a experiência. “Atualmente eu me sinto muito mais autônoma e consigo me organizar melhor sozinha, sem muita necessidade de ajuda”, diz ela, admitindo que tem mais disciplina e procrastina menos nas tarefas.

A adolescente, que pretende ser arquiteta, se esforça nos estudos, mas diz sentir falta do ambiente escolar, inclusive na preparação para provas. “Me sinto bem apreensiva já que, por mais que eu esteja estudando bastante pelo EAD, sinto que aprendo mais nas aulas presenciais, com os professores me guiando”, revela.

QUEM ENSINA
Para os professores a experiência também tem sido importante a cada dia. O professor de física e astronomia de uma escola particular, Virgílio Siqueira, de 39 anos, ao longo do tempo conseguiu se habituar com a rotina, principalmente por não haver a mesma infraestrutura da escola.

“É difícil por conta de não ter contato com alunos. Como minha esposa também é professora, a gente pegou um dinheiro que estava guardado e investiu em equipamentos, compramos lousa, microfone, tripé”, conta Siqueira, que criou um canal no YouTube para disponibilizar as aulas que ministra on-line desde o início do isolamento.

A participação dos alunos tem sido importante. “Os alunos participam bastante. Eu dou aula para um nono ano que tem 75 alunos e apenas 12 não fizeram atividades. Acho que presencialmente eu teria menos entregas”, revela ele, ao mesmo tempo em que admite que o ensino presencial ainda é insubstituível.

Marcos César Formis é professor de química, também em instituições particulares e, assim como Virgílio, acredita que o fato de ter tido que se adaptar muito rápido ao ensino remoto, sentiu algumas dificuldades, justamente por haver diferentes plataformas, já que cada escola adota uma ferramenta.

Sobre ter que trabalhar em casa, Formis percebe que as tarefas pessoais e profissionais acabam se sobrepondo. “Nós, professores, estamos nos adaptando a trabalhar em casa. Muitos professores têm filhos ou cuidam dos pais. Tenho uma filha de sete anos que eu precisei acompanhar durante as primeiras aulas”, diz ele.

E completa. “O adolescente tem uma certa maturidade, mas são grupos heterogêneos, alguns têm mais disciplina, mas outros precisam de uma cobrança constante do professor”, conta Formis sobre a ausência do contato com os alunos.

De forma geral, ele diz que a experiência tem sido positiva. “Os alunos se deram conta de que eles têm que estudar. Acho que quando isso acabar, haverá mais valorização ao professor”, conclui.

Maria Cecília Bortoletto, de 56 anos, é diretora de uma escola pública. Assim como em todas as escolas da rede estadual de ensino, a plataforma utilizada para as aulas é o CMSP. Além da plataforma, Cecília conta que os professores também adotaram o WhatsApp e o Google Classroom para complementar o conteúdo e aplicar atividades.

“Os alunos estão gostando, falava-se muito do celular em sala de aula e agora ele é um acessório importante para eles”, diz a diretora.

Ela enfatiza que muitos profissionais tinham conhecimento, mas não tinham prática em ferramentas que são usadas agora. “Eu estou vendo engajamento dos professores, eles assistem a todas as aulas do Centro de Mídias, assistem até a aulas de outras disciplinas”, conta Cecília.

Sobre a experiência que fica, a diretora fala da importância da ajuda mútua e do esforço dos professores da rede pública de ensino. “Apareceu dificuldade, mas ela foi sanada rápido. Todo mundo se ajudou”, explica.


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