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Esclerose múltipla: Jundiaí tem atendimentos acima da média

plínio teodoro | 20/08/2018 | 05:40

Após 18 anos convivendo com a Esclerose Múltipla, a atriz Cláudia Rodrigues – a Marinete, do antigo seriado As Diaristas, da TV Globo -, prepara sua volta aos palcos. “Dia 17 de setembro eu estou voltando a atuar. Eu estarei no Madalosso, em Curitiba, com Diogo Portugal, Marcelo Médici, David Pinheiro, Carlinhos Nunes. Vou estar com esse pessoal fazendo humor”, disse, em entrevista à TV, na noite desta segunda-feira (13).

A atriz, diagnosticada em 2000, é um dos mais de 35 mil brasileiros que convivem com a doença, segundo estimativa do Ministério da Saúde. Desde 2006, o mês de agosto tornou-se laranja – a cor da enfermidade – e no próximo dia 30 é considerado o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, com ações em todo o Brasil.

Segundo o neurologista Richard Montgomery, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), a Esclerose Múltipla é considerada o “coringa” da neurologia. “É uma doença que pode atingir qualquer área do sistema nervoso e pode manifestar-se com um grande número de sintomas, tanto sensitivos, como motores e psiquiátricos”, afirma.T_claudia

Apesar de não haver estimativas sobre o número de portadores da doença na cidade, o médico acredita que haja um número acima da média nacional, que é de 18 ocorrências a cada 100 mil habitantes, segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM). “No ambulatório da FMJ todo dia temos registros de pacientes com EM. Acredito que isso pode ser em decorrência de que grande parte da população possui ascendência italiana e a Esclerose Múltipla tem incidência maior em mulheres de origem caucasiana, europeia en geral”, diz.

Doença autoimune
A Esclerose Múltipla é uma doença é neurológica, crônica e autoimune – ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares, o que causa distúrbios na comunicação entre o cérebro e o corpo. Ela afeta normalmente adultos, principalmente mulheres, entre 18 e 55 anos de idade.

A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla destaca que a abordagem dos pacientes precisa ser ampla, com equipe multidisciplinar. A entidade ressalta ainda o impacto psicológico e a imprevisibilidade dos sintomas. “É importante o suporte médico, fisioterápico, psicológico, fonoaudiológico, além do suporte medicamentoso”, informa.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 44 procedimentos (clínicos e de reabilitação) para a doença, de forma integral e gratuita, de acordo com as diretrizes terapêuticas determinadas pelo Protocolo Clínico da Esclerose Múltipla.

Em Jundiaí, o tratamento é feito no ambulatório e em hospitais, quando há surtos. Segundo Montgomery, ele é feito com altas doses de corticoides feitas com acompanhamento médico e a medicação é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “É importante salientar que o tratamento visa a remissão dos sintomas e controla a doença, mas não a cura. Mesmo assim, a maior parte dos pacientes não morre de Esclerose Múltipla, mas em decorrência de suas complicações.”

Tratamento
Na entrevista, Cláudia Rodrigues – que chegou a ser internada por causa da doença – disse que tem feito uso de um remédio à base do princípio ativo da maconha. “São gotas, concentradas, que se toma de canabidiol. Por exemplo, antigamente eu tremia, agora eu tomo esse canabidiol e não tremo mais, meu olho voltou. Eu faço um apelo às autoridades que liberem isso, porque é muito bacana, gente, não é só pra mim, que tenho esclerose”.

O neurologista afirma que diversas pesquisas de novos medicamentos estão sendo desenvolvidas e que o uso do canabidiol é algo novo, mas ainda sem resultados conclusivos. “Muita gente que não encontra soluções, está desesperada e não responde bem ao tratamento, às vezes acaba procurando um salvador que se transforma no canabidioide. E não é isso, pois ainda não existem pesquisas fundamentadas quanto ao uso dessa substância no tratamento da EM. Sabe-se que pode haver benefícios, mas isto não está totalmente claro”, conclui o médico.


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