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Especial: Complexo Fepasa, um patrimônio adormecido

Gustavo Amorim | 08/07/2018 | 10:39

16 de fevereiro de 1867. Há 151 anos, a São Paulo Railway inaugurava em Jundiaí a estação que interligaria Campinas, São Paulo e Santos para escoamento da produção de café e açúcar. Nascia, naquele momento, o complexo que já no fim do século 20 seria conhecido pelos jundiaienses como Complexo Fepasa. Um gigante de 112 mil metros quadrados de área, 35 edifícios e uma história tão rica que talvez merecesse mais atenção do cidadão.

Jundiaí, 8 de julho de 2018. Embora utilizado desde 2017 pela Unidade de Gestão de Cultura da Prefeitura de Jundiaí, o local que hoje traz em média mil usuários por semana (eram nulos anteriormente) abre todos os dias, mas ainda engatinha na ocupação de todos os espaços. O investimento necessário para a restauração completa é muito alto.

Dentro do Complexo, hoje, estão instaladas a Faculdade de Tecnologia (Fatec) Campus Jundiaí, a unidade municipal do Poupatempo, Fumas, Departamento de Patrimônio Histórico, Centro de Memória de Jundiaí, Museu da Cia. Paulista, entre outras atividades.

Reforma da Estação

A Estação Jundiaí da CPTM deverá ser reformada em breve, após mais de dez anos de espera. Em nota, a companhia informou ao JJ que “deve concluir até o fim de 2018 os projetos executivos de restauração e modernização da Estação Jundiaí, incluindo prédio tombado, plataformas, passarela, sala de equipamentos e elevadores”. Ainda segundo a nota, “os projetos básicos já foram aprovados por todos os órgãos de preservação histórica.

A CPTM não dá prazo para o início das obras, mas destaca o próximo passo é iniciar a licitação para implantação de uma estação provisória, com investimento de R$ 4,5 milhões

Lei Rouanet dá sobrevida ao espaço

O município não tem condições financeiras de bancar uma obra de restauro completa do Complexo Fepasa.Embora o valor total para um investimento desse porte não seja revelado, a Unidade de Gestão de Cultura busca no governo federal os recursos necessários – em convênios fracionados.
Nos próximos dias, a Prefeitura de Jundiaí lançará um edital de chamamento para contratação de uma empresa que será responsável pela elaboração do projeto licitatório para buscar recursos na Lei Rouanet – criada para incentivar produções culturais.
“Nossa projeção é que até dezembro esse projeto esteja aprovado nos ór˜gãos federais e possamos trazer de fato o recurso da Lei Rouanet”, afirma Marcelo Peroni, gestor da unidade de Cultura de Jundiaí. Segundo ele, ainda não é possível definir quando as obras podem ser iniciadas.
“Nós ainda não temos um plano de ocupação do complexo como um todo aprovado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que é o nosso próximo objetivo. Nós temos um olhar para o todo do complexo, mas precisamos começar por algum local. Esse é o nosso entedimento para que possamos fazer no complexo o que estamos fazendo com a Unidade de Gestão.

Gestor deseja utilização gradual, mas efetiva

O Complexo Fepasa traz vida hoje através dos grupos e atividades culturais que ali realizam seus ensaios, danças, músicas e ensinam às crianças e adultos a arte. A utilização começou com a transferência da Unidade de Gestão de Cultura da Prefeitura de Jundiaí para um dos prédios do complexo, em abril de 2017. “Desde que nos mudamos, a ideia tem sido ocupar o espaço com essas atividades culturais, de maneira que contemos a degradação e tragamos as melhorias e manutenções necessárias. Esse foi o primeiro passo. Em um ano, ganhamos muito”, diz Marcelo Peroni, gestor da pasta.
Peroni acredita que pode levar até 10 anos para que todo o espaço disponível esteja passível de utilização pela população. “O investimento é muito alto em restauro. Claro que seria maravilhoso fazer tudo, mas não dá para abraçar o todo de uma vez. Então nós temos que começar por algum lugar. Hoje, o nosso foco é o bloco central do complexo”.

O gestor reitera ainda que mais importante do que ter o espaço, é saber como utilizá-lo de forma consumada, ou seja, sem deixar “elefantes brancos”. “Abrir o espaço para o artista é uma política pública de ocupação. Hoje, com três grandes salas, conseguimos dar esse espaço para que qualquer artista possa fazer a sua pesquisa, desenvolver o seu projeto. A necessidade é tamanha que já estamos abrindo aos sábados e domingos”, diz.

O futuro na linha do trem?

Especialistas ouvidos pelo JJ apontaram recentemente que o modal rodoviário da macrorregião metropolitana de São Paulo (regiões de Campinas, Jundiaí, Grande SP, Vale do Ribeira e Sorocaba) não tem mais para onde crescer. Se o país quiser ter força motriz de desenvolvimento econômico vindo da nossa região, o trem de carga será o fator que pode fazer a diferença para a balança pender para o lado positivo. É fato que tais mudanças só devem acontecer no longo prazo, mas é fundamental que elas aconteçam: construção e reestruturação de vias férreas por todo o interior do Estado com o objetivo não apenas de escoar a produção, mas também fazer o sentido oposto. O modal ferroviário vai crescer de novo.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos

 

 


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