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Especialistas alertam para a redução no consumo de água

GUSTAVO AMORIM | 29/07/2018 | 15:00

Com as chuvas abaixo de 30% no último verão, o inverno mais seco e a falta de chuvas no Vale do Paraíba, onde não cai água há mais de três meses, especialistas ouvidos pelo Jornal de Jundiaí alertam: está na hora dos cidadãos terem mais consciência no consumo de água. “Sem dúvida já podemos falar em alerta. Após a crise de 2013/2014, nós já estamos dentro de um período atípico novamente. Nós estamos vindo de um verão não muito chuvoso, relativamente seco, e o inverno sem chuvas. Enquanto isso, o consumo continua”, aponta Rodrigo Manzione, especialista em recursos hídricos da Faculdade de Ciências e Engenharia da Unesp.

Em Jundiaí, a represa de armazenamento está com 47% da capacidade, o que não preocupa a DAE. Em nota, a empresa afirma que esse nível está dentro dos índices operacionais, mas afirma que lançará nos próximos dias mais uma campanha sobre a conscientização no uso da água, bem como pela necessidade de evitar desperdícios.

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A DAE capta água de dois rios para manter o nível da represa normal: o Jundiaí-Mirim e o Atibaia. Porém, com o nível baixo de fluxo do rio Jundiaí-Mirim, a empresa tem quatro bombas que trabalham 24 horas por dia na captação do rio Atibaia. O Atibaia, entretanto, só está com a vazão normalizada porque está sendo alimentado pelo Sistema Cantareira, o mesmo que abastece São Paulo e que está com 40% de capacidade – nível abaixo do que estava em julho de 2013, meses antes da crise hídrica.

Segundo o Consórcio PCJ, responsável pela bacia da qual Jundiaí capta água para o consumo, os rios da bacia estão com a vazão 30% abaixo do normal, de acordo com a média histórica. Antônio Carlos Zuffo, professor do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, explica que as regiões sul e sudeste do Brasil estão em um momento de alternância histórica, e que haverá menos chuva nos próximos 20 a 30 anos em comparação com os últimos 40. “Esse fenômeno é normal.

Nossos avós viveram em um período mais seco entre 1936 e 1975. Nesse intervalo, as chuvas foram menores, a produtividade agrícola diminuiu e houve a migração do campo para as cidades. Depois de algumas décadas com mais chuva, o momento agora é de nova baixa no nível de precipitação. É sempre importante ter o consumo consciente”, explica.

Chuvas em outubro
Zuffo, entretanto, acredita que as chuvas voltarão ao normal em outubro, pelo fenômeno El Niña. “Talvez até acima da média”, diz. Para Manzione, entretanto, fundamental é manter em todas as épocas do ano, seja de abundância ou falta, campanhas para obter níveis conscientes no nível de água. “Que se crie uma cultura de um uso racional da água, sem desperdício. Sem isso, continuaremos pensando em riscos”.

Foto: Artur Henrique/Imagens aéreas


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