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Estação e linha ferroviária de Jundiaí aguardam reformas há nove anos

COLABORAÇÃO MARIANA CHECONI | 07/04/2019 | 05:02

Inaugurada em 16 de fevereiro de 1867, a Linha 7-Rubi, construída pela extinta São Paulo Railway (SPR) e posteriormente Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), a primeira ferrovia paulista, com trajeto entre Santos e Jundiaí, ajudou a escoar o café produzido no interior e impulsionou o desenvolvimento de todo o estado. Administrada pela Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) desde 1992, a linha mais longa da malha ferroviária, que hoje faz o trajeto Jundiaí-Luz, completou 152 anos. O antigo governador Geraldo Alckmin, em sua gestão, propôs um projeto de revitalização em 2010 que ainda não foi concluído, que incluía a reforma histórica da atual estação ferroviária de Jundiaí, já aprovada pelo Condephaat.
O projeto consistia em um investimento de mais de R$ 7 bilhões, destinados à extensão de linhas, construção e reforma de estações, dinamização de infraestrutura, aumento e recuperação da frota e ainda a revitalização de algumas linhas, incluindo a 7-Rubi. Contudo, as obras não foram iniciadas. Em 17 de fevereiro de 2018, Alckmin afirmou que toda a frota da linha seria substituída por trens novos. “No prazo de 90 dias, será concluída a substituição de todos os trens na Linha 7 por modelos novos, pois temos nesta linha alguns trens ainda da década de 1950, com mais de 60 anos“, disse. Essa promessa não foi cumprida.
Eduardo Martins, publicitário de 37 anos que vai de Jundiaí a São Paulo todos os dias, conta que os trens velhos são muito comuns em sua rotina. “Todos os dias eu pego um trem velho. Ou para ir ou para voltar. Eles são barulhentos, desconfortáveis e no calor esquentam muito. Sonho com o dia que toda a frota será de trens novos”, afirma.

Novos projetos
Com a gestão do governador João Doria, novos planos para o trajeto das linhas da CPTM mal aproveitadas surgiram. Vários gestores anteriores cogitaram conectar as cidades do Interior à Capital paulista, porém nenhum saiu do papel. A gestão Doria pretende lançar até o fim do ano o edital de licitação para a realização do Trem Intercidades. A expectativa é que os serviços da Linha 7 melhorem, com a redução de intervalo. Além disso, o eixo ferroviário entre a Barra Funda e Campinas ganhará outros dois serviços: um expresso no eixo Barra Funda – Jundiaí – Campinas, e um outro parador, atendendo Valinhos, Vinhedo, Louveira e Jundiaí e integrando com a Linha 7 – Rubi em Francisco Morato. A previsão é que o trem regional transporte 68,5 mil passageiros por dia.
Para quem anda de trem todos os dias essas medidas seriam ótimas. A estudante de odontologia Maria Eduarda Martins, que segue o trajeto Jundiaí-Barra Funda, afirma que passa um longo período de tempo no transporte público. “Tenho que sair de casa muito cedo e ainda corro o risco de chegar atrasada. Quando meus amigos saem depois da faculdade sempre tenho que dormir na casa de algum deles ou voltar muito cedo porque o trem para de circular e além disso é perigoso. Se esse projeto realmente for concretizado seria ótimo. Levaria menos tempo para chegar em casa ou na faculdade”, conta.
Em nota, a CPTM informa que os projetos propostos estão sendo avaliados. “Neste início de gestão, os projetos em elaboração estão passando por análise de cronograma. Os prazos relativos ao início e término das futuras obras só serão conhecidos após a conclusão dos projetos básico e executivo”, afirma.

Patrimônio histórico perdido
A antiga estação de Jundiaí (conhecida como Estaçãozinha) foi tombada como patrimônio histórico material em 2011 por conta de sua representação histórica. Na época que os trens de passageiros faziam o trajeto Jundiaí-Santos essa estação era utilizada para embarque e desembarque. Em junho de 2018 o local pegou fogo e ficou deteriorado. Eusébio Santos é idealizador do projeto de recuperação da Estaçãozinha. Ele conta que acima de tudo não quer que a primeira estação ferroviária de São Paulo caia no esquecimento. “Eu e todas as pessoas que apoiam essa causa lutamos para que um patrimônio histórico da cidade como esse não seja um local abandonado e caindo aos pedaços. Queremos que seja símbolo turístico de Jundiaí e Região”, relata.
Ele informa que no próximo dia 2 acontecerá uma audiência na prefeitura para definir o responsável pelo local e a, partir disso, as devidas providências de reparação poderão ser tomadas. “Até lá a nossa luta continua. O brasileiro em geral não tem uma cultura de valorizar o envelhecimento. Tanto de pessoas como de coisas. Por isso ideias como essas são importantes. O velho faz parte da história do lugar. Precisamos manter a memória viva”, conclui.

estação ferroviária


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