Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Estaçãozinha volta aos olhos jundiaienses

DA REDAÇÃO | 10/11/2018 | 16:54

Naquela manhã de sábado, 10 de novembro de 2018, moradores de Jundiaí encontraram-se em frente às ruínas da antiga estação de 1898 oculta da cidade no abandono de mato e cipós. Alguns vinham com facões ou roçadeiras, outras com trajes coloridos.

Em cerca de apenas uma hora, a energia positiva desse grupo deixou a fachada dessa estaçãozinha da Companhia Paulista visível novamente. Um pequeno passo, mas um grande simbolismo para a campanha “Estaçãozinha Pede Socorro”, lançada ali menos de um mês antes.
Eram ex-ferroviários, estudantes, jardineiros, professores, advogados, ciclistas, arquitetos, dançarinas, fotógrafos, sociólogos, administradores, enfim, moradores. Com apoio de muitos outros pela internet.

“Não é pelo passado, mas pelo futuro”, dizia pela Associação de Preservação da Memória da Companhia Paulista o gestor Eusébio, apontando para a filha da fotógrafa Ana. Na escada suspensa de concreto armado que liga o viaduto à estaçãozinha a turma de dança da professora Sara posou com roupas coloridas. No final do evento, mostraram que até Sidney Magal pode ter lugar nesse mundo.

A campanha colhe registro dos apoios, distribui panfletos. Convida para eventos previstos na próxima terça, 13, com entrega de telha simbólica ao Compac no Complexo Fepasa; no dia 1 de dezembro, com uma caminhada histórico-educativa entre o Sebo Jundiaí e a Estaçãozinha; e no dia 22 de dezembro, prevendo um ato natalino ali.

As pessoas estão felizes em fazerem alguma coisa juntas pela estaçãozinha. Ela era federal quando o Complexo Fepasa foi municipalizado em 2001 e assim continuou, abandonada com apenas a persistência do seu Wilson como barreira. A campanha já entregou dados novos para o Ministério Público Federal analisar o caso.

Pelas redes virtuais, a ex-telefonista da estação Deyse parabeniza os participantes. Assim com muitos outros jundiaienses que viveram momentos ali e não puderam estar fisicamente.

Mas não é apenas pela visibilidade em si. O movimento mexe com uma energia mais profunda de todos, que é o respeito com a cidade, com sua memória, com o que pode deixar para as novas gerações. É a tal energia positiva de que falamos acima.

Não uma simples ilusão. Mas a certeza de que com pequenos gestos concretos se podem dar avanços na união entre as pessoas e até ajudar o poder público e a comunidade em novos rumos para desafios como do patrimônio.
É pelo menos encontrar uma forma de mostrar, com atitudes: “eu me importo!”

 

 


Leia mais sobre |
COLABORAÇÃO: JOSÉ ARNALDO DE OLIVEIRA
Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/estacaozinha-volta-aos-olhos-jundiaienses-2/
Desenvolvido por CIJUN