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Estudantes se preparam a distância

Nathália Sousa | 11/07/2020 | 05:00

Com a suspensão das aulas presenciais, os cursinhos pré-vestibular também estão funcionando a distância para preparar os estudantes que, mesmo ansiosos, se dedicam aos estudos. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), dos 6,1 milhões de estudantes que se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021, 65% já concluíram o Ensino Médio em anos anteriores e 81,7% estudam na rede pública de ensino.

Professora de geografia e coordenadora da ONG Cursinho Professor Chico Poço, Giovanna Ermani, conta que a unidade oferece aulas mesmo a distância. “A gente já usava o Google Sala de Aula antes e continuamos a aplicar. Criamos um calendário novo com videoaulas e fomos nos adaptando de acordo com as necessidades dos alunos, mas acrescentamos os plantões dos professores no período noturno no lugar da aula presencial”, conta ela.

Ela afirma que nada substitui a sala de aula, mas é preciso adaptação. “Mesmo que alterem o formato das provas, os alunos ainda estarão prejudicados emocionalmente. Percebe-se um padrão maior de ansiedade nessa nova geração. Há uma preocupação com os alunos que trabalham e não pararam e outros detalhes, como a conexão com a internet”, acredita.

Aos 17 anos, Gabriel Maciel, fará o Enem e alguns vestibulares no próximo ano. Para tentar o ingresso em um curso de psicologia ou ciências sociais, tem se acostumado com o ritmo do ensino a distância. “O ano do vestibulando é complicado e a realidade que a gente vive aumenta a ansiedade, mas consegui me adaptar ao cronograma e estudar como se fosse presencial”, diz.

Ele acredita que a mudança na data do Enem, prevista para janeiro, deixará muitos alunos perdidos. “Houve a votação, mas não deram dados sobre as possibilidades para a gente fazer a escolha, como as datas de Sisu e Prouni para cada alternativa. Eu votei em janeiro, mas por uma questão democrática não foi bom.”

Sofia Uliano Smaniotto, de 18 anos, terminou o Ensino Médio no ano passado e faz cursinho pré-vestibular particular para conseguir uma vaga em psicologia ou terapia ocupacional. Ela conta que está com uma rotina de estudos, embora se sinta ansiosa com o cenário. “Estudo on-line. É um jeito bem diferente porque temos aulas todos os dias, mas é bem mais complicado de manter a atenção e a motivação do que em aula presencial. Com certeza a ansiedade e a incerteza estão constantes.”

Sofia também comenta a definição da data do Enem. “Para mim, como consigo ter aula, não faz muita diferença, porque tenho uma estrutura, mas quem não tem é difícil”, diz ela sobre as provas serem aplicadas em janeiro.

Henrique Giogianni Campos, de 22 anos, tenta uma vaga em medicina e diz que a estrutura, de fato, faz diferença. “Eu votei em uma data mais distante, mas a data não me prejudicou tanto porque faço cursinho há cinco anos. O meu preparo é mais psicológico, mas muita gente que não tem condições de estudar pode ser prejudicada com a prova em janeiro.”

DATAS
Três dos principais vestibulares de São Paulo, USP, Unesp e Unicamp, terão provas da primeira fase em janeiro. A Fuvest, responsável pelo vestibular da USP, aplicará as provas no dia 10 de janeiro. A Vunesp, que realiza o vestibular da Unesp, definiu os dias 30 e 31 de janeiro para a primeira fase. A Comvest, que faz o vestibular da Unicamp, divulgou que as provas da primeira fase serão nos dias 6 e 7 de janeiro.

As provas presenciais do Enem serão realizadas nos dias 17 e 24 de janeiro. As provas virtuais serão aplicadas nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Mesmo com uma consulta aos estudantes para a escolha das datas das provas, o MEC definiu o calendário após diálogos com as secretarias estaduais de Educação e entidades representativas das instituições de ensino superior públicas e privadas.

Sofia Smaniotto mantém uma rotina on-line, embora prefira a presencialidade

 

Henrique Campos faz cursinho há 5 anos e se preocupa mais com o psicológico


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