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Estudar e se divertir são as dicas de quem chegou aos 80

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 31/03/2019 | 05:03

Houve um tempo em que ficar velho era chegar aos 50 anos. Um jornal da década de 40 noticiou que um carro havia invadido a casa de uma idosa de 45 anos. Naquela época, a expectativa de vida era 53 anos. Mas isso mudou. Com o avanço da medicina e das políticas públicas para idosos a expectativa de vida no Brasil hoje é de 72 anos para homens e 79 para mulheres, segundo senso do IBGE de 2017.
Porém, para chegar nessa idade com saúde é preciso investir em hábitos saudáveis desde muito cedo. De acordo com José Eduardo Martinelli, geriatra da Faculdade de Medicina de Jundiaí, idosos saudáveis são aqueles autônomos e independentes, ou seja, capazes de tomarem suas próprias decisões sem depender de ninguém. A principal forma de conseguir isso é a prevenção. “Hábitos saudáveis são essenciais. Uma boa alimentação, a prática de exercícios físicos, cuidados com a saúde mental, não fumar e não beber são as principais maneiras de prevenir que alguma complicação apareça”, afirma. Segundo o médico, algumas doenças hereditárias como diabetes e hipertensão costumam se manifestar a partir dos 45 anos. “Os cuidados com a saúde devem começar desde cedo. Dessa forma as pessoas podem viver uma vida longa e sem complicações”, explica.
Professora de música e criadora da musicalização para bebês e crianças no Brasil, Josette Feres, de 85 anos, é exemplo de saúde, disposição e alegria. Ela conta que a família mantém hábitos saudáveis. “Em casa evitamos comer produtos industrializados e optamos por alimentos naturais e orgânicos. Além disso, faço pilates para exercitar o corpo”, relata.
Outro ponto importante na vida de Josette é a música. Professora de piano desde os 14 anos, ela afirma que a vida toda trabalhou com o que gostava. “Eu amava ser professora. Algumas profissões fazem as pessoas levarem muitos problemas para casa. A minha não. Tocar e ensinar sempre foram prazeres na minha vida”, relata.
Outro fator que ajudou em sua saúde foi o fato de estar constantemente estudando. “Procurava novidades e informações sobre música o tempo todo. Estudar é um exercício muito importante para manter o cérebro ativo. Hoje, aos 85 anos, se eu pudesse dar um conselho para os jovens, algo que diria para os meus filhos, seria ter bom senso. Para se alimentar, beber, trabalhar, se divertir. Em todos os aspectos. O bom senso é muito importante para a longevidade”, revela a professora.

Exercícios e alimentação
Especialistas apontam que a junção de prática de exercícios físicos e alimentação é fundamental para quem quer uma vida longa e saudável. A educadora física Priscila Aparecida Ribeiro dos Santos Oliveira afirma que praticar exercícios físicos ajuda a prevenir uma série de doenças e ainda aumenta a expectativa de vida. “Pessoas ativas vivem mais do que quem não faz atividade física porque adoecem menos e têm uma qualidade de vida melhor. Praticar exercícios ajuda também a manter a massa magra, algo que se perde quando envelhecemos. Essa massa é importante para atividades do dia a dia como lavar uma louça e pegar um copo”, comenta.
Priscila explica que as atividades mais recomendadas são as aeróbicas. “Caminhadas, ciclismo, corridas leves sem muito esforço são exercícios ótimos. Eu também recomendo treinamento funcional e pilates. Além disso, os idosos costumam gostar de hidroginástica, natação e exercícios em grupo.”

Comer bem
A nutricionista Dyovana Rezende explica como a alimentação saudável pode ajudar no funcionamento do organismo do idoso. “Quando ficamos velhos, o organismo vai perdendo massa muscular e, consequentemente, a força. Isso acontece com o intestino também. Para melhorar o funcionamento do organismo, eles precisam consumir frutas, legumes, verduras e gorduras boas, como os peixes, que possuem ômega 3 e são bons para a memória, fortalecem o sistema nervoso e ajudam em processos inflamatórios. Alimentos ricos em fibras, cálcio e vitaminas D e B1 também são indicados aos idosos”, ensina.
Muito sal, gorduras ruins e carnes vermelhas são os menos recomendados para o consumo. “Esses alimentos podem piorar o funcionamento do organismo, porque pessoas mais velhas apresentam dificuldade de digestão. Além disso, o consumo exagerado de sal e gordura aumenta a chance de algumas doenças”, diz a nutricionista.

SUPER AGES
O médico Martinelli conta que idosos acima dos 90 anos lúcidos e que permanecem ativos são chamados de Super Ages. “Essas pessoas chegam aos 90 com uma ótima saúde. Algumas são muito ativas, fazem diversas atividades durante o dia”, comenta.
É o caso de Thereza Benachio Guarize (Zinha). Aos 91 anos é completamente independente e autônoma. Mora sozinha e mantém uma vida saudável. Ela conta que o segredo da longevidade é viver bem. “Eu faço alongamento nas pernas e nos braços todos os dias quando acordo, antes mesmo de levantar da cama. Fiz hidroginástica por muitos anos mas parei porque fiquei muito velha e comecei a sentir dores no corpo”, conta.
Thereza não tem nenhuma restrição alimentar, mas conta que não fica sem comer frutas. “Adoro todas elas. A fruteira está sempre cheia. Agora com esse calor, gosto de colocá-las na geladeira”, recomenda Zinha.
Sua sobrinha neta, Carol, diz que a aposentada não precisa e não quer ninguém que fique cuidando dela. “Nós até pensamos em alguém. Ela não quer. Diz que ser vigiada o dia inteiro a deixaria doente.”

ESPECIAL LONGIVIDADE  THEREZA BENACHIO GUARIZA


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