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Estudo mostra onde está a poluição do ar em Jundiaí

ARIADNE GATTOLINI | 29/06/2019 | 05:01

Pela primeira vez no Brasil, estudo, em parceria com a Siemens, mostra quem são os responsáveis pela emissão de poluentes no ar de Jundiaí. Através da ferramenta City Performance Tool (Ferramenta de Desempenho das Cidades), o mapeamento permite balizar os investimentos até 2050 para minimizar o impacto da poluição no dia a dia do cidadão. O trabalho, denominado “Jundiaí: visão para uma cidade mais sustentável” foi demonstrado ontem (28), em reunião, no Paço de Jundiaí entre representantes da empresa e gestores.

Jundiaí foi a primeira cidade brasileira a ter o estudo concluído. Na América Latina, somente Buenos Aires tem a mesma avaliação. Cidades como Oslo, San Francisco e Gotemburgo, na Suécia, usaram a ferramenta para fomentar negócios sustentáveis e gerar empregos.

O prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado, afirmou que o estudo impacta diretamente a saúde dos jundiaienses, os gastos públicos e os investimentos futuros. “Ao nos transformar em uma cidade sustentável, com uso de energia limpa, iremos atrair cada vez mais investimentos. Ao diminuirmos a poluição, melhoramos a saúde do jundiaiense e o respectivo custo público.”

O presidente da Siemens do Brasil, André Clark, elencou ainda os benefícios do uso adequado dos recursos demonstrados no estudo, que poderão ampliar a economia jundiaiense. “O primeiro deles é de investimento. Com a queda real dos juros, famílias globalizadas estão procurando locais para investir a longo prazo. E elas só virão se houver um ambiente amigável para a sustentabilidade. O segundo item é ser eficiente energeticamente, mostrando que a cidade usa os recursos naturais de forma limpa. E o terceiro, e não menos importante, é garantir a saúde do cidadão, pois a cada um real que se aplica em energia limpa é gerada a economia de R$ 4 a R$ 8 no gasto com a saúde.”

“Os municípios brasileiros estão tentando sobreviver ao presente, mas nós estamos nos colocando à frente. As cidades têm que ser entidades fortes neste protagonismo e a infraestrutura é o melhor investimento para uma nação”, afirmou Clark.

O estudo começou em março de 2018 e foi coordenado pela pasta do gestor de Finanças e Governo, José Antonio Parimoschi. Ele afirma que a cidade está investindo em mudanças na contratação de serviços, que devem beneficiar o uso dos recursos naturais. “A primeira delas, que já passará por consulta pública nos próximos meses, é a parceria público-privada da iluminação, que prevê a troca para lâmpadas LED, nas vias públicas, com economia dos recursos naturais.” O gestor estuda, ainda, diminuir o impacto dos resíduos sólidos, gerados pelo lixo, com nova forma de pagamento e conscientização do cidadão.

O prefeito Luiz Fernando Machado se comprometeu a ampliar a eficiência energética pelos prédios públicos (leia matéria ao lado) e começar um teste para os ônibus elétricos, que não emitem gases poluentes.

Encontro no Paço entre gestores municipais e da Siemens mostra o resultado de estudo de impacto da emissão de poluentes em Jundiaí no último ano

Carros e edifícios são os que mais impactam a cidade

Quando a garganta arde, a rinite alérgica chega é óbvio que o jundiaiense coloque a culpa na poluição ou até mesmo no clima. Entretanto, qual a sua disposição para abandonar o veículo particular em casa em benefício do meio ambiente e da saúde? O estudo da Siemens aponta que o carro é o maior responsável pela emissão de poluentes (41,5%) na cidade. O estudo mostra ainda que a falta de eficiência energética nos prédios privados, comerciais e públicos também impactam em 37,9% o meio ambiente (aqui por ausência do uso de energia limpa ou até mesmo na ineficiência da matriz energética, que consome mais CO2 na sua produção).

Em relação aos meios de transporte, após o carro, os ônibus (13,3%) têm relevante impacto na poluição do ar (veja gráfico abaixo). Como a racionalização do uso do veículo particular passa por macrodecisões, como a maior eficiência do motor atual, e sua adequação às normas da Rota 20/30, a substituição por veículos elétricos (ainda caros no país) e outras soluções de transporte público, a administração de Jundiaí começa a pensar na mobilidade elétrica como opção. “Vamos planejar uma operação-teste de ônibus elétricos, pois está em nosso escopo de decisão”, afirmou o prefeito Luiz Fernando Machado, além de futuras mudanças no Código de Obras, com implantação de parâmetros para a eficiência no uso da energia .

O presidente da Siemens do Brasil, André Clark, afirmou que o motor elétrico ainda passa por baixa demanda devido ao seu alto custo. “Entretanto, como toda tecnologia, o preço da bateria tende a baixar e logo mais será acessível aos brasileiros.” Ele lembra ainda que o Brasil é rico em lítio, mineral que é matéria-prima do componente.

Em relação ao padrão de eficiência energética, o gestor de Finanças, José Antonio Parimoschi, estuda adequar o Código de Obras para esta realidade. “Após o término das discussões do Plano Diretor, podemos promover estudos para mudar o Código e criar critérios para a melhor eficiência energética das edificações.”

A Siemens finaliza o estudo com três cenários de redução de poluentes até 2050. Se aplicadas as soluções, as reduções podem chegar de 22% até 35%. As alternativas para poluir menos consistem em troca de iluminação pública, controle da eficiência predial, uso de energia fotovoltáica, iluminação viária de LED, iluminação viária orientada à demanda, adoção de ônibus elétrico, redução da demanda por carros, ampliação de ciclovias e o uso de aquecimento solar.


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