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Evento prestigado, tatuado e diversificado

| 14/06/2014 | 23:00

Com o pseudônimo de “Coveiro Maldito”, o operador de máquinas de uma linha de montagem numa empresa metalúrgica no ABC paulista exibe, com orgulho, 60% do corpo tatuado, em um dos estandes do 2º Jundiaí Tattoo Festival, que termina hoje (15 de junho), no Parque Comendador Antônio Carbonari, das 10 às 22 horas. A expectativa dos organizadores é de receber mais de oito mil pessoas em 2014 – o dobro da edição anterior.

O nosso personagem, que preferiu não se identificar, fez a sua primeira tatuagem aos 16 anos (um escorpião no pescoço), posteriormente coberta por outra que simboliza tentáculos. Ele conta que a paixão pelas tatuagens começou quando estagiou no Instituto Médico Legal (IML) de sua cidade, onde acompanhou todos os procedimentos durante as autópsias. “Agora, todo final de semana eu faço um rabisco novo, porque essa arte vale a pena”, diz. Para garantir os recursos do investimento, ele faz performances em eventos de terror e de tatuagens pelo País. “Sempre rende uma grana boa”, comemora.

Taís Maciel, moradora no bairro Champirra, em Jundiaí, ganhou sua primeira tatuagem – um golfinho, nas costas –  aos 19 anos. Ontem, ela investia na décima terceira da coleção, após cerca de sete horas sobre a maca, para reproduzir o rosto de uma moça na parte anterior da coxa. “A dor é suportável e nem me importo, porque o trabalho fica bem legal e vale a pena”, justifica. “Sempre contei com o apoio da minha família. Hoje em dia eu prefiro mais as tatuagens de realismo, porque me identifico com o estilo”, diz ela, mostrando a face do rei do rock Elvis Presley, estampado na parte posterior da coxa.

Especialista na técnica de de realismo, o tatuador Marcos Silvestre relata que essa é a tendência em boa parte do público feminino. “Primeiro elas fazem uma tatuagem pequena, por volta dos 19 anos. Porém, na faixa dos 30-40 anos, seguem para uma imagem fotográfica ou algo mais específico, que fica bem próxima da realidade”, explica.

Ele descreve que nos últimos sete anos houve mudança no perfil dos frequentadores de seu estúdio. A mulheres representam 65% do total de clientes. Em sua opinião, essa mudança se deu por uma série de fatores, entre eles a resistência maior à dor durante o procedimento. “Além disso, houve aumento no nível de profissionalismo exigido pelas próprias autoridades, dentre as quais a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), principalmente para a realização de cursos de Biossegurança”, exemplifica. “Hoje, todas as máquinas precisam ter registro da Anvisa, os bicos e as agulhas são descartáveis e o acesso dos profissionais aos produtos de melhor qualidade, como tintas e outros equipamentos, é muito maior, o que diminuem os riscos de alergia e comprometimento na cicatrização”.

Atrações e premiação – Neste ano o evento conta com 80 estandes, atrações musicais, área infantil, pista de skate, praça de alimentação, grafites e exposições fotográficas, de carros e motos. O ingresso custa R$ 20.. 

Hoje haverá, ainda, eleição de 17 categorias de tatuagens, duas categorias de séries de desenhos e três categorias de piercing. “A melhor tattoo ganhará um estande na maior convenção da América Latina, a Tattooweek, no Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, em julho; na convenção internacional de Guarulhos, em novembro; e em São Roque, no final de janeiro”, conta Eder Marques, da organização do evento. 


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