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Exigência de qualificações dificulta inserção no mercado

COLABORAÇÃO DE SOLANGE POLI | 05/05/2019 | 07:00

Atualizar-se é a principal dica tanto para quem está em busca de uma recolocação como para os que almejam uma promoção ou mesmo se manter no emprego atual. Paira no ar uma dúvida se as empresas estão sabendo valorizar as habilidades e competências dos profissionais que entram num processo seletivo. Num mercado cada vez mais competitivo, o cenário atual aponta uma exigência maior, principalmente nos últimos cinco anos, com novos pré-requisitos para preencher boas vagas. Ainda assim, com a renda estagnada e baixos salários, trabalhadores veem-se muitas vezes obrigados a mudar de área, reinventando-se e criando situações que lhes garantam, sobretudo, suprir necessidades prioritárias. As empresas, entretanto, afirmam que também buscam competências pessoais e sociais.
O otimismo cresce entre recrutadores, embora as taxas de desemprego no País ainda revelem um cenário preocupante. Mais de 1,2 milhão de pessoas entraram para a população desocupada no primeiro trimestre do ano, na comparação com o último trimestre de 2018. Com isso, o total de pessoas à procura de emprego no país chegou a 13,4 milhões. A taxa de desocupação subiu para 12,7%, mas ainda é inferior aos 13,1% atingidos no primeiro trimestre do ano passado. Esses são os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada no fim de abril, pelo IBGE.
Não apenas as competências técnicas, mas também as que envolvem personalidade e comportamento do profissional devem ser consideradas. Segundo a psicóloga Janaína Lemes, coordenadora de Recursos Humanos na empresa NovaRh, o mercado atual sinaliza que a maior dificuldade na recolocação das pessoas está na falta de desenvolvimento de competências comportamentais e sociais. “É bem verdade que existem algumas áreas em que os profissionais são escassos, como algumas áreas técnicas operacionais. Mas as reprovas no processo de entrevista se dão por conta da falta de preparo comportamental dos candidatos. Muitos, de forma geral, não investem em seu desenvolvimento pessoal. Isso é reflexo de uma sociedade que passa por diversos problemas relacionados a essa questão”, explica Janaína. Entre as competências que as empresas buscam, segundo ela, cada vez mais raras de se encontrar no mercado, estão o comprometimento, atitude colaborativa, empatia e sigilo.

Visão social e humana
O supervisor do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) de Jundiaí, Brasílio Antonio, confirma essa necessidade envolvendo, além da qualificação propriamente dita, especialmente nas ocupações técnicas, também a comportamental. “O comprometimento é essencial, pois não basta o candidato ter o perfil exigido pela empresa quando ao assumir não tiver o comprometimento. Muitas vezes ele perde o interesse pela ocupação, começa a faltar e assim não ocorre adesão ao trabalho. São vários fatores que levam a isso, como remuneração baixa, falta de benefícios, mudança de expectativa ou intenção de migrar para outra área, o que também compromete o empregador”, esclarece o supervisor, classificando a necessidade de retomada da “educação para o trabalho”, com uma visão social e humana, além da remuneração.
O PAT, segundo o supervisor, tem em média 230 vagas/mês, atualmente a maior parte na área de serviços. Ensino médio e conhecimento específico na área são exigências consideradas básicas, sem falar nas funções com requisitos técnicos. Os candidatos, ressalta Brasílio, precisam sentir-se úteis, não explorados e inseridos no processo produtivo, contribuindo para uma sociedade mais justa. Dessa forma, devem ficar antenados para as demandas que prevalecem atualmente, como serviços, informática e novas tecnologias, diante das transformações rápidas e irreversíveis observadas. Como dica, ele reforça que o candidato deve aproveitar inclusive as oportunidades de trabalho temporário, o que vai acrescentar experiência e vislumbrar novas oportunidades. “E interessante ele aceitar, mesmo quando não é atrativo financeiramente, pois conforme seu desempenho e diferencial, poderá conseguir futuramente uma promoção”, alerta.

Alexandre Martins


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