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Falta de chuva faz poços secarem e preocupa produtores

| 27/06/2014 | 20:05

O período de estiagem tem causado dores de cabeça ao produtor rural de Jundiaí.  Com a falta de chuvas, a água está escassa e poços de diversas propriedades estão secos. A Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Turismo Rural estima que pelo menos 90% das propriedades que usam poços na cidade tenham o tipo conhecido como “tradicional” ou “caipira”, em que a água é captada da chuva, pela superfície. No caso do poço artesiano, a água vem do subsolo.

O problema da escassez é sentido na pele pela representante comercial e produtora Lucinéia Contini, 37 anos, e por seu marido Wilson Luiz Torquato, que têm dificuldade para dar água aos 22 novilhos de sua propriedade, além de outros animais como um cavalo e três cães. Seu sítio fica no bairro Ivoturucaia, em uma região em que poços são comuns.

“Nós também utilizamos água do poço em nossa casa e, por causa dessa falta de água, estou indo tomar banho na minha sogra”, conta Lucinéia. “Faz tempo que não sei o que é lavar meu carro.” Apenas os novilhos, explica ela, consomem 600 litros de água por dia. E o problema não é de hoje. A falta de água vem ocorrendo há pelo menos seis meses, em um ano atípico e no qual a seca começou no verão, período em que geralmente há chuvas em abundância.

Na propriedade de Lucinéia existem dois poços tradicionais e uma caixa d’água com capacidade para seis mil litros. Durante o bombeamento no poço, diz ela, bastam 15 minutos para que toda a água seja retirada de seu interior. “Se descermos mais a bomba, ela vai trazer barro ao invés de água.” Um pequeno lago em sua propriedade também já secou.

Para tentar driblar o problema, Lucinéia tem comprado água. Um caminhão-pipa com 10 mil litros custou para ela R$ 200. A produtora também busca ajuda no poder público. Fez um cadastro na DAE e pediu apoio à Prefeitura de Jundiaí.

O secretário de Agricultura, Abastecimento e Turismo Rural, Marcos Brunholi, explica que o problema não é apenas de Lucinéia, mas de diversos produtores que dependem de poços. Sobre um possível apoio da prefeitura aos produtores que sofrem com a seca, Marcos explica que “a pasta não tem perna para tudo”, pois não contavam com uma estiagem como essa. “Mas, caso não chova, vamos ter de buscar uma saída para ajudar o produtor rural”, declara ele. A estimativa é que a estiagem perdure até agosto.

A prefeitura prepara, por meio da pasta de Brunholi, um levantamento das propriedades rurais, dentro do Plano Ambiental Municipal (PAM). Será possível, assim, saber quantas áreas se beneficiam com poços e quantas pegam água do rio Jundiaí-Mirim. Para o secretário, a atual situação é preocupante. “Apesar de os poços tradicionais terem mais falta de água, os artesianos também apresentam diminuição”, explica ele.

Para cavar um poço, o proprietário da área precisa de licença de alguns órgãos. Condomínios, residências, indústrias ou estabelecimentos comerciais que desejem abrir um poço artesiano devem solicitar outorga a Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), ou seja, uma concessão. “Vinda a solicitação, os técnicos analisarão o local demandado e outras condicionantes, inclusive a procedência da água, que pode não ser adequada ao uso humano”, informa a Daee, em nota.


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