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Falta de emprego transforma semáforo em “25 de março”

ANGELO AUGUSTO | 23/07/2019 | 05:00

O desemprego atinge mais de 13 milhões de brasileiros, o equivalente a 12,5% da população, e como alternativa à falta de uma fonte fixa de renda, muita gente tem entrado no mercado informal para conseguir pagar as contas.

Em Jundiaí não é diferente. No semáforo do cruzamento da avenida Antônio Frederico Ozanam com o Viaduto Sperandio Peliciari, por exemplo, ambulantes vendem os mais diversos produtos para os motoristas que passam por ali: são acessórios para celulares, chocolate e até panos de prato.

Albert José da Silva, 24 anos, Diego da Silva, 29, Ivanildo Raimundo, 32, e Wydson Clemente Pereira, de apenas 18 anos, vêm da cidade de Francisco Morato todos os dias para tentar resolver o problema da falta de emprego trabalhando de maneira informal nas ruas de Jundiaí.

“Nós compramos os produtos na Mooca e na rua 25 de Março. Eu pago pensão e minha esposa está grávida de gêmeos, então preciso ralar todo dia. A gente pega o trem, chega aqui às 5h da manhã e fica até as 5h da tarde, todo dia. Estamos aqui porque realmente precisamos do dinheiro”, conta Albert, que ontem (22) à tarde vendia cinco panos de prato por R$ 10.

Diego, que vende acessórios veiculares como cabos, carregadores e suportes para celular, conta que eles gostariam de um emprego fixo e estável. “As pessoas (empresários) querem contratar só quem tem experiência, mas a gente não têm, porque nunca nos deram uma oportunidade. Se alguém viesse aqui e nos oferecesse um emprego, registrado, a gente aceitaria na hora e sairia da rua”, desabafa o vendedor.

Por não estarem registrados nem legalizados, os “marreteiros”, como eles mesmos se denominam, reclamam da fiscalização, por parte principalmente da Guarda Municipal (GM), que já chegou a apreender várias de suas mercadorias. “Eu já perdi tudo umas cinco vezes. E não adianta ir na prefeitura nem em lugar nenhum, eles não devolvem. Uma vez um fiscal até anotou nossos dados, nome, endereço. Mas não deu em nada” relata Albert.

A venda informal é sempre uma incógnita. Ivanildo, que comercializada chocolate aerado, conta que há dias em que as vendas são maiores, principalmente em períodos de pagamento. “Em dias de vale e de pagamento a gente vende mais também. Geralmente a melhor época do mês é próximo ao dia seis”, completa.

Perigo nas ruas
Os ambulantes relatam também as dificuldades que enfrentam diariamente nas ruas, como não saber se terão dinheiro para almoçar, além do risco de sofrer algum acidente, já que passam praticamente o dia todo andando entre os carros ainda em movimento. “Tem dia que a gente passa a tarde inteira sem comer, porque vendemos pouco. Nosso almoço geralmente é uma marmitex que os motoboys passam aqui vendendo, a R$ 6 cada uma. E o risco de ser atropelado está presente 100% do tempo”, conta Diego.

Albert fala também que os dias de maior movimento de carros na avenida Antônio Frederico Ozanam ocorrem na sexta-feira e no sábado, o que colabora com um número maior nas vendas de todos os produtos. “Tem dia que tem até 10 marreteiros ou mais aqui, porque quando o semáforo fecha, o trânsito vai até o outro quarteirão. E como cada um vende uma coisa, todos conseguem vender bem” completa.

Lei
O comércio ambulante em Jundiaí é regulamentado pela Lei Municipal 4.385, de 4 de julho de 1994, que considera como ambulante o vendedor ou prestador de serviços nas vias e logradouro públicos, a pessoa física, civilmente capaz, que exerça atividade por conta própria, desde que devidamente autorizada. Para fazer a legalização é necessário realizar um cadastro na Divisão de Fiscalização do Comércio, localizada na Paço Municipal.

“Eu pago pensão e minha esposa está grávida de gêmeos”, conta Albert, que vende panos de prato

Ivanildo comercializa chocolate aerado: “Em dias de vale e de pagamento a gente vende mais também”


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