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Falta integração entre empresas, diz especialista sobre explosão de gás na Vila Progresso

VINICIUS SCARTON | 07/11/2018 | 19:30

Falta integração entre as empresas prestadoras de serviços que utilizam tubulação subterrânea no município. A afirmação é do engenheiro civil e conselheiro da Associação dos Engenheiros de Jundiaí, Reinaldo Pacanaro. Segundo ele, a troca de informações pode evitar acidentes como o que ocorreu no dia 31 de outubro, causado após a perfuração de um cano de gás natural por uma empresa de fibra ótica, que destruiu uma casa na Vila Progresso e causou a morte do morador.

Pacanaro atua com perícia judicial há mais de 30 anos e, segundo ele, falta atualmente na cidade cadastramento e mapeamento específico de serviços como água, gás, esgoto, telefonia e cabeamento. “Toda intervenção precisa ser formada por total conhecimento das empresas envolvidas, que devem possuir mapas e promover integração entre elas. Em meu ponto de vista, a conduta da atualidade é temerosa”, avalia.

De acordo com a Comgás, toda sua rede de gás natural é 100% georreferenciada e, para evitar esse tipo de ocorrência, disponibiliza em seu portal o sistema “Nossa Rede”. “Nele qualquer pessoa ou empresa pode consultar previamente a localização da tubulação de gás antes de realizar uma intervenção no solo. O programa tem como objetivo incentivar as empresas responsáveis, uma vez cientes da existência de tubulação, a solicitar as informações necessárias como plantas e croquis da rede, bem como o acompanhamento técnico que a Comgás disponibiliza 24 horas por dia, 7 dias por semana”, reforça a nota.

No caso da casa atingida pela explosão, na rua Anita Garibaldi, 452, a assessoria de imprensa da Comgás informa que a residência não tinha ramal de gás, mas a rede passa pela calçada da casa. Além do morador, que morreu três dias depois do acidente, um funcionário da Comgás ficou ferido no acidente, mas já teve alta.

Ainda de acordo com a Comgás, o incidente que resultou na morte ocorreu durante obras realizadas por uma empresa de engenharia que estava realizando a instalação de fibra ótica no subsolo da rua. A empresa salienta, ainda, que prestou todo o suporte à vítima e ao seu funcionário, que chegou ao local momentos antes da explosão e foi hospitalizado, mas já recebeu alta. A empresa segue acompanhando de perto as investigações sobre o ocorrido. A reportagem procurou o Corpo de Bombeiros para saber se há novos desdobramentos sobre a explosão, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.

Tubulação
A reportagem questionou a Prefeitura de Jundiaí sobre os procedimentos que uma empresa, ou morador que contrata uma obra, que vai perfurar o solo deve adotar antes de fazer perfurações para não furar qualquer tubulação. Em nota, a Unidade de Gestão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente afirma que o acompanhamento das obras de particulares deve ser realizado pelo profissional contratado pelo interessado, “que deve verificar todas as interferências com as instalações existentes nas calçadas: rede de água, ligação de esgoto, telefonia, gás, drenagem, etc”.

A prefeitura ressalta que mantém uma fiscalização para verificar o cumprimento da legislação urbanística e do Código de Obras e evitar obras clandestinas. “O Código de Obras e os Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura definem que tais responsabilidades são do proprietário, que deve contratar projeto e orientação de profissional habilitado”, frisa a nota.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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