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Família de jovem, vítima de acidente de moto, autoriza doação de órgãos

Da Redação | 09/12/2019 | 18:48

Aos 21 anos, a jovem Maybilin Ilainara de Oliveira da Silva nunca imaginou que um dia teria de tomar a decisão de doar os órgãos de seu irmão, Ryan Ferreira, 24 anos, vítima de um acidente de moto na última sexta-feira (6). “Eu fui a primeira a aceitar, depois a minha mãe e o pai dele também concordaram”, diz ela. E assim, os rins, pulmões, coração, pâncreas e córneas de Ryan passaram a contribuir para a redução da fila de cerca de 40 mil pessoas que aguardam por um órgão no Brasil.

“Nunca conversamos sobre o assunto em casa, mas ele era uma pessoa muito preocupada em ajudar as outras pessoas, por isso acredito que tenha sido a decisão certa”, conta Maybilin que diz conhecer de perto a realidade de quem precisa receber um órgão. “Meu avó tinha câncer no fígado e esperamos por um fígado por tanto tempo que isso nos fez perceber o quanto uma doação é realmente importante para quem precisa. Essa espera foi sacrificante, infelizmente não conseguimos… mas ficou de lição para toda a família”, desabafa.

Nesta segunda-feira (9), os órgãos de Ryan foram removidos. Por volta das 18 horas seguiram no helicóptero Águia da Polícia Militar, que pousou no Paço Municipal, com destino à Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) de São Paulo. Os órgãos serão destinados a pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista única de espera, por critérios definidos pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.

Todo o trabalho foi coordenado pela Comissão Intra Hospitalar de Transplante (CIHT) do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, responsável, dentre outra ações por identificar potenciais doadores de órgãos, acolher e conversar com as famílias sobre a possibilidade de doação, realizar a remoção dos órgãos e encaminhar à CNCDO.

As pessoas que têm interesse em doar seus órgãos, devem ter um diálogo franco com a família, deixando claro seu desejo. Pois apenas os familiares é que podem autorizar a doação de órgãos após a constatação clínica e criteriosa de morte encefálica. O tempo de retirada de cada órgão e transplante deste em outra pessoa, chamado tempo de isquemia, é fator fundamental para o sucesso do procedimento. Por exemplo, coração pode demorar até 4 horas; pulmão de 4 a 6 horas; rim é de 48 horas; fígado 12 horas e pâncreas 12 horas.

O gesto de amor da família do jovem Ryan acende a esperança de vida e a oportunidade de recomeço para muitas pessoas que precisam de doação.

Foto: Valéria Gonçalves / PMJ


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