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Fila de espera para fazer laqueadura no SUS é de seis meses em Jundiaí

FELIPE TOREZIM | 19/06/2018 | 05:00

Atualmente, 36 mulheres aguardam para fazer a laqueadura – procedimento de esterilização – em Jundiaí. Os dados são do Ambulatório de Saúde da Mulher, ligado à Unidade de Gestão e Promoção da Saúde. Ainda de acordo com o ambulatório, são realizadas oito cirurgias por mês e o tempo de espera é de cerca de seis meses. Para o o coordenador médico do Hospital Universitário (HU), Juan Carlos Melgar, o perfil principal das mulheres que buscam esse tipo de intervenção são as que tem três ou mais filhos ou já fizeram duas cesáreas.

A laqueadura, explica o médico, é um procedimento de retirada das trompas uterinas, impedindo assim que a mulher engravide. “É a técnica contraceptiva mais eficaz de todas”, garante, destacando que a técnica pode ser revertida. “Há uma taxa de sucesso entre 20 e 30% para reverter o quadro e a mulher voltar a ser estéril.”

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A cabeleireira Marli de Fátima Pires Leme, de 45 anos, realizou a laqueadura pelo SUS há 15 anos. Com quatro filhos, ela revela ter feito por necessidade, mas não tem arrependimentos. “Eu tenho um problema vascular e não posso usar pílulas, pois corro risco de ter trombose. Portanto, resolvi fazer o procedimento e foi a melhor decisão que podia ter tomado”, afirma Marli, lembrando que sentiu pouco incômodo e não teve alteração na libido.

Decisão
O médico Juan Carlos conta que a decisão deve ser tomada com base no planejamento familiar. “Geralmente há uma conversa com psicólogos, médicos e marido, mas a decisão é da mulher.”

Essa decisão, aliás, vai na contramão do que a Justiça decidiu por uma mulher na cidade Mococa, em São Paulo. Presa há sete meses por tráfico de drogas, ela foi obrigada a fazer a laqueadura após dar a luz ao oitavo filho. A ação foi de obrigação foi expedida em 29 de maio de 2017. Em maio deste ano o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou a sentença do juiz, alegando que ninguém pode ser obrigado a se submeter a uma esterilização compulsória. O procedimento, porém, já havia sido feito.

Para a advogada Rose Gouvêa, presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB de Jundiaí, militante LGBT e feminista, essa foi uma ação desumana e inconstitucional. “A nossa Carta Maior proíbe qualquer intervenção no corpo de uma pessoa, sem seu consentimento. A decisão de esterilizar a mulher foi higienista, porque trata-se de uma mulher, pobre, negra e encarcerada”, argumenta.

Ela completa dizendo que, se fosse um homem, dificilmente seria submetido a uma vasectomia. “O Brasil, culturalmente misógino, joga toda a responsabilidade da maternidade para a mulher. O homem é sempre blindado pela sociedade e pelo estado também. Ele pode ter muitos filhos e abandoná-los, mas não será criticado como a mulher sempre é.”

Foto: Alexandre Martins/Jornal de Jundiaí

Foto: Alexandre Martins/Jornal de Jundiaí


ALEXANDRE MARTINS/JORNAL DE JUNDIAÍ
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