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Fogos da virada preocupam tutores de pets pela cidade

Fábio Estevam | 31/12/2019 | 05:00

“Não há pior momento para um animal em todo ano, principalmente para cães e gatos, que o Réveillon”, dizem os tutores dos pets espalhados pela cidade. Isso porque, assustados com os fogos de artifício (soltos em grande volume nessa ocasião), os animais tendem a procurar um abrigo para fugir do barulho. Com isso, muitos fogem de suas casas e acabam morrendo atropelados ou mesmo desaparecendo.

Como aconteceu durante a noite de Natal deste ano, quando a Mãezona, uma cachorra vira-lata de 5 anos, fugiu por causa do foguetório. Ela deixou sua casa, no Jardim Continente, em Várzea Paulista, no noite do dia 24, e só foi encontrada cinco dias depois na avenida dos Imigrantes, no bairro Colônia, em Jundiaí, para alívio dela e de sua tutora Sônia Maria Carvalho, de 53 anos.

“Minha filha abriu o portão por um instante e foi o suficiente para que a Mãezona desaparecesse. Nos mobilizamos para encontrá-la e até achamos que, com mais fogos, ela iria sair de algum lugar em que tivesse se abrigado. Mas isso não aconteceu”, disse Sônia. Foram feitas várias postagens nas redes sociais com milhares de compartilhamentos. Veículos de comunicação também tentaram ajudar, mas em vão, pelo menos naquela noite.

No sábado, dia 29, à tarde, uma moradora na avenida dos Imigrantes reconheceu a cachorra e entrou em contato com a tutora. Esta, por sua vez, pediu que ela tirasse uma foto e enviasse. “Eu não queria acreditar, por conta da distância. Mas era ela mesma. A pessoa que a encontrou deu água a ela na calçada e a segurou até que eu chegasse. Foi emocionante. Ela estava cansada, abatida, mas ficou muito feliz, assim como eu”, disse. “Esse negócio de fogos, para os animais, é um pesadelo. Ela teve que andar muito para ir até lá, correndo risco de ser atropelada e judiada.”

Quando não fogem, os animais acabam muitas vezes até se machucando. Casos de animais tentando pular janelas, quando os vidros estão fechados, são comuns – e eles sempre acabam se ferindo com os estilhaços. E existem também muitas situações como a que ocorreu com a cadela Xuxa, que pertencia a tutora Maria Lúcia Sant’Ana Ramos, de 56 anos – ela morava em São Paulo quando tinha a Xuxa. “Quando tinha fogos, ela ficava louca, corria para todo lado. E dava muita dó. Para acalmá-la um pouco, a gente a colocava em uma edícula. E em um episódio havia uma caixa de som, feita de compensado. Pois a cachorra, nervosa, cavou a caixa de som para se esconder, para se sentir mais protegida”, contou ela, relatando que a cachorra se machucou.

Xuxa foi levada ao veterinário, que passou a acompanhar o caso dela, orientando a família a dar metade de um comprimido de calmante para o animal. “Hoje eu tenho duas gatas, sendo que uma delas tem pavor de bomba. E existe um estresse muito grande, e que tentamos acalmá-la pegando no colo”.

Lei municipal

Em muitas cidades estão sendo implementando leis que proíbem fogos de artifício com estampidos, como em São Paulo, onde, desde 2018, o Réveillon é mais silencioso a pedido de protetores de animais.
Já em Jundiaí, no dia 2 de julho deste ano, pela segunda vez (a outra foi em 2017), nove vereadores votaram contra o projeto que proibiria a soltura de fogos.

Dicas:

  • Não leve seu cão ou gato para um local onde haverá queima de fogos
  • Feche bem as portas e janelas para evitar que o animal fuja
  • Para abafar o som dos fogos você pode colocar a TV ou o rádio no volume mais alto
  • Crie um refúgio para que o animal possa se esconder
  • Tire a coleira do seu cão ou gato, para que não se enforque
  • Se houver mais de um animal na casa, deixe-os separados, para evitar brigas por causa do estresse
  • Em casos extremos, fale com seu veterinário de confiança, para que ele receite algum calmante, de acordo com o peso do animal


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