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Foliões continuam com a corda toda no Carnaval

SIMONE DE OLIVEIRA | 24/02/2019 | 05:03

Os ensaios dos blocos e das escolas de samba já começaram em diferentes pontos da cidade e, para quem não resiste ao som dos tantãs e dos tamborins, esta é uma época de se preparar física e psicologicamente para aguentar a maratona. Em Jundiaí já foi dada a largada com o primeiro bloco a desfilar pelas ruas, o Chupa que é de Uva, na última sexta-feira (22): hoje tem Kekerê e Basta Vir e se Divertir.

Mas quem já está acostumado com a folia, o Carnaval acaba se tornando uma atividade prazerosa, mesmo com algumas mudanças de época, de comportamento, de roupas ou até das músicas que são o pontapé inicial para embalar a multidão pelas ruas da cidade.

A ordem é se divertir. É assim que tem feito a viúva Maria Adalgiza Barreto, de 72 anos. A jundiaiense conta que há muitos anos deixou o Carnaval tomar conta de sua vida e a paixão é tão grande que continua a frequentar os bailes. Até hoje faz questão de se preparar para aguentar a maratona. “Eu frequentava os bailes em um clube aqui da cidade, mas depois passei a curtir os blocos. Acho que faço isto há pelo menos 20 anos”, diz.

E justamente por estar duas décadas nesta rotina carnavalesca, ela tem percebido mudanças, mas mesmo assim não deixa de se divertir. “Antigamente os carnavais eram mais dentro de clubes. Hoje o povo aderiu aos blocos e na minha opinião isto representa o verdadeiro Carnaval. É o que a gente sempre fala: ‘do povo para o povo’.”

Acostumada a frequentar o Refogado do Sandi, que este ano completa o Jubileu de Prata (25 anos) e sai às ruas do Centro no próximo dia 1º, ela antecipa que hoje também aproveita para se esquentar no bloco Kekerê, com saída da União dos Ferroviários. “Antigamente o uso das fantasias dava todo o charme e se destacava em qualquer lugar, mas as coisas vão se adaptando. Este ano por exemplo vou com uma roupa básica.”

NOS EMBALOS DA MÚSICA
Amante da música, o jundiaiense Antunes Nasser, de 56 anos, sempre gostou de Carnaval. Desde criança participava das brincadeiras de rua e sua principal diversão era tocar samba em latas. E esta simples diversão de criança virou coisa séria e atualmente toca em bateria de escolas de samba e de alguns blocos.

“Antes, quando os desfiles eram no Centro, eu tocava em algumas escolas. É muito emocionante porque o Carnaval de rua é uma alegria e poder participar tocando e divertindo as pessoas é sempre gratificante. Agradeço por ser um ‘instrumento a mais’ a ser somado na festa.”  Ele conta que a primeira vez que viu o Refogado do Sandi desfilando pelas ruas do Centro, havia apenas 30 pessoas. Ficou observando de longe até que viu o Erazê Martinho (fundador do bloco) se aproximar e beijar sua mão dando as boas-vindas a mais um refoguense: nome dado aos foliões do bloco.

“Ele me recebeu de coração aberto e por isso este bloco é tão querido até hoje. Depois conheci a Gisela (Vieira) que autorizou irmos tocando atrás do caminhão e fazendo evoluções com rodas em torno das pessoas destacando o solo de samba dos passistas.”

Além de ser um dos músicos do bloco, ele e a família participam de outros grupos. A animação da família faz toda a diferença. “Eu não tenho uma fantasia própria. Eu a monto na hora e mudo os adereços o tempo todo. Minha esposa e minha filha se fantasiam de ‘doutores da alegria’ e este ano, além do Sandi, pretendemos ir no bloco Afro Kekerê, da Ponte Torta e Continuamos na Nossa.”

RESPEITO E TRADIÇÃIO
Independentemente da agremiação, os foliões fazem questão de lembrar que a folia só é bem aproveitada se houver respeito entre aqueles que estão curtindo o bloco e também entre os organizadores. “O Sandi é tradicional na cidade e por isso faço questão de participar principalmente pela ordem, pela organização e pelas amizades que lá angariei”, diz Antunes.

Segundo Maria Adalgiza antigamente havia mais respeito, mas é preciso impor limites. “Hoje em dia as coisas mudaram. Há mais liberalidade, mas a questão é sabermos nos portar em qualquer situação”, declara.

FANTASIA DE CARNAVAL ADALGISA


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