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Fumas garante que garotos de 12 a 14 anos continuam recebendo sopa

| 03/10/2014 | 21:12

Em entrevista ao Jornal de Jundiaí na tarde desta sexta-feira (03), no Paço Municipal, os representantes da Fundação Municipal de Ação Social (Fumas) negaram o não fornecimento da sopa feita pela entidade para o Programa Criança Saúde aos garotos de 12 a 14 anos, provenientes do Centro Comunitário do Núcleo de Submoradia do Santa Gertrudes, em Jundiaí.

Diferente das denúncias das mães dos adolescentes, publicadas pelo JJ Regional na edição desta sexta-feira, o superintendente da pasta, Rodrigo Mendes Pereira, afirma que o programa passa por uma reestruturação, mas que nenhuma comunidade que apresenta demanda pela necessidade da sopa será prejudicada. “As merendas foram oferecidas normalmente durante esta semana no Santa Gertrudes, no período da manhã”, afirma.

Rodrigo também esclarece que houve falha no comunicado enviado pela Fumas aos moradores, que citava a exclusão do nome dos garotos de 12 a 14 anos a partir do próximo dia 3 de novembro da lista da merenda. “O que fazemos é um aprimoramento do Criança Saúde, pois os atuais programas de geração de renda permitem que muitas famílias não necessitem mais da sopa. Mas garanto que as merendas serão distribuídas onde houver necessidade.”

Diretora de Ação Social da Fumas, Lucelena Rodrigues informa que hoje são 16 os pontos de atendimento do programa, sendo 11 da prefeitura e cinco em parceria com entidades. “Além do fornecimento da merenda, a Fumas oferece cursos de culinária, cabeleireiro, manicure e artesanato nos centros comunitários.” Lucelena também alega ter recebido com susto as queixas das mães. “Foi uma surpresa para nós, pois não há proibição alguma para o fornecimento da alimentação.”

A Fumas informou, em nota enviada pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Jundiaí, que todas as crianças foram atendidas normalmente nesta quinta-feira (2), no ponto de atendimento do Jardim Santa Gertrudes. Uma equipe de técnicos em nutrição realiza o monitoramento permanente do Programa de Suplementação Alimentar e, desde 29 de setembro, intensificou este trabalho por meio de visitas diárias aos pontos de distribuição. Sobre a nota distribuída anteriormente nos centros comunitários, a Fumas informa que isso faz parte da proposta de monitoramento e adequação dos projetos desenvolvidos pela pasta e que servem apenas para abrir uma discussão com as comunidades atendidas.

O objetivo de todo o trabalho é fazer, em parceria com a comunidade, uma avaliação da proposta de readequação da faixa etária para atendimento. Ainda segundo a nota, “é importante frisar que o atendimento às crianças e adolescentes até 14 anos está sendo mantido e vai continuar normalmente”. Atualmente, são 1.032 pessoas, entre crianças, pessoas com deficiência, idosos, gestantes, mães em período de amamentação e convalescentes que recebem a sopa. É importante destacar que o resto da sopa não é desperdiçado e retorna para a Fumas, que avalia diariamente a quantia consumida nos locais de atendimento.

Reclamações – Nesta sexta-feira (03), apenas crianças com menos de 12 anos compareceram ao Centro Comunitário Área Verde, no Santa Gertrudes e todos receberam a sopa. “Por causa da medida, algumas crianças deixaram de vir. É que os irmãos mais velhos – que não poderiam receber o alimento – não querem trazer os pequenos”, contou Cosma Souza Silva, voluntária no Centro Comunitário.

Mãe de cinco filhos, Cláudia de Carvalho está revoltada com a possível exclusão do filho de 12 anos do benefício. “Meu menino está triste. Ele gostava da sopa e fazia bem para ele. Os meus filhos adultos também tomaram a sopa e cresceram fortes. O bebê de um ano tem orientação do médico do postinho para tomar. É um complemento alimentar e deviam distribuir para todo mundo”, lamentava.

Gisele Aparecida Silva Santos tem dois filhos e um deles não poderá mais tomar a sopa, segundo o comunicado afixado nos Centros Comunitários. “No ano passado até as mães podiam tomar se quisessem”, relembrou. “Nós, que fazemos a entrega da sopa, somos voluntárias. Para entregar a sopa recebemos uma cesta básica, mas se for para chegar aqui e ter de negar alimento para crianças, prefiro não ajudar mais. É muito dolorido”, disse Cacilda Alves Pedroso, moradora no núcleo de submoradia há 24 anos.


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