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Garotos lucram com sexo pago

| 22/06/2014 | 00:15

Hoje com 23 anos, B. L. se prostitui desde os 18. Ele é um dos meninos que fica algumas horas, em algumas noites por semana, no Centro de Jundiaí – que, além de garotas de programa e travestis, também tem garotos com oferta de sexo. Clientes não faltam, garante B.

Para jovens como ele, a prostituição tornou-se uma saída: uma forma de ascender financeiramente. Como explica a presidente da Associação Maria de Magdala, Maria Cristina Castilho de Andrade, a prostituição masculina atinge, sobretudo, jovens de periferia, em busca de ascensão financeira e frutos de uma atual apologia ao consumismo. Sua associação trabalha com mulheres em vulnerabilidade social, alguns delas ligadas à prostituição.

Os garotos de programa têm seu próprio espaço no Centro de Jundiaí, que é dividido em territórios quando o assunto é prostituição. “Para evitar problemas, nós não invadimos o espaço dos travestis ou das garotas”, conta B., loiro e bem vestido. “Pois podem ocorrer atritos entre grupos.”

Um programa com B. custa R$ 100 (30 minutos) ou R$ 250 (uma hora). Passar a noite toda custa mais caro. “Trabalho aqui para tirar um extra”, conta o rapaz, que é natural de Várzea Paulista e hoje mora em Jundiaí. O negócio da prostituição na cidade, ele argumenta, “está bombando”. “Aqui é bom para isso, tem bastante procura.”

O número de garotos de programa, contudo, tem diminuído em Jundiaí. Atualmente, o Centro tem cerca de cinco rapazes que fazem programa com regularidade maior. “Acredito que diminuiu por causa da violência, que tem crescido”, diz B.

Há meninos que só saem com homens. Outros, também com mulheres. B. serve à primeira situação, mas conta que tem algumas reservas. “Sou ativo”, explica. “Há também bastante procura de casais, pois homens têm fetiche em ver a mulher transando com outro parceiro.” Ao longo desses cinco anos, o profissional do sexo afirma ter conquistado clientes fixos, mas também problemas.

“Já tive problemas com clientes que usam droga e ficam fora de si, ou mesmo aqueles que fazem o programa e não querem pagar”, conta ele, que também combina programas com clientes por chats na internet e chega a viajar para outras cidades a trabalho.

Outro garoto de programa, Lucas (nome fictício) também tem 23 anos e menos tempo de experiência. Homossexual, ele está em Jundiaí há dois meses, trabalha na área há um ano e hoje vive em uma pensão – tipo de hospedagem mais procurado pelos profissionais do sexo. Lucas é natural de Goiás e veio para o Estado de São Paulo em busca de oportunidades. Antes de chegar a Jundiaí, ele passou por outras cidades.

“A procura por garotos de programa é grande, inclusive por casais”, diz ele. “A maior parte dos homens com quem eu saio, cerca de 90%, é casado e está em busca de algo a mais”, informa, sobre a preferência dos clientes. Com jeito efeminado e cabelo erguido pelo gel, Lucas diz que há muita procura também pelo sexo oral.

Jovens, os garotos de programa de Jundiaí também despertam o desejo de um público específico: os homens mais velhos. “Há os homens com mais idade em busca de garotos”, confirma Lucas, de porte magro e que aparenta ter menos idade.


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