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Geração ‘millenials’ já começa a se desconectar das redes sociais

Thiago Avallone | 17/11/2019 | 06:00

Na era das curtidas, dos seguidores e das redes sociais, o número de interações vem diminuindo cada vez mais. Esse fenômeno parece ser uma resposta às recentes pesquisas que apontam que a utilização do Facebook, Instagram, Twitter entre outros são umas das principais causas de depressão nos jovens do mundo.

As pesquisas recentes têm apontado a tendência. Uma delas, feita com estudantes de colégios britânicos, revelou que 63% deles ficariam felizes se as redes sociais nunca tivessem sido inventadas. Nos últimos anos, o número de jovens que consideram as redes sociais importantes caiu de 66%, em 2016, para 57%, em 2018.

Outro estudo divulgado em março deste ano, da Infobase Interativa, reuniu pesquisas de consultorias especializadas em hábitos de consumo digital para mostrar que a desintoxicação das redes está em alta: 64% dos jovens estão dando uma pausa nelas e 59% querem excluir o perfil no Facebook. Há ainda estimativas que apontam que 30% dos millennials (nascidos após o início da década de 1980 até ao início dos anos 2000), abandonaram as redes sociais ao longo de suas vidas.

O professor Joel Rennó Júnior, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) entende que a questão está no tempo gasto e no isolamento que ela provoca na rotina dos jovens, além da fase vivenciada.

“Isso acaba combinado, muitas vezes, com algumas características da adolescência. As pessoas se mascaram, criam outra identidade até para atrair crianças e adolescentes. É algo muito sério. Muitas vezes as meninas expõem fotos, de forma ingênua, para outras meninas, para o namorado, e aí que vem a difamação e a calúnia. Em adolescentes vulneráveis, isso pode causar grandes estragos psíquicos”, explicou o professor.

Seguindo esta linha de raciocínio o jovem estudante de 21 anos, Leonardo Costa, decidiu não aderir ao hype do momento e achou melhor,não ter e nem participar das redes sociais. “No meu ponto de vista, as redes sociais são tóxicas, ou potencialmente tóxicas. Eu escolhi não me expor diretamente a isso, embora as redes sociais também tenham muitos pontos positivos. Quero deixar claro que eu não sou contra as rede sociais, apenas acredito que uma exposição demasiada a elas não é nada benéfico”, explicou o jovem.

Rafaela Ruppert, de 24 anos, também optou por não aderir às redes por querer fortalecer a questão da proximidade e intimidade com as pessoas. “Eu nunca fiz parte das redes sociais e nunca senti falta. Sempre achei que era algo que só alimentava coisas ruins nas pessoas. Jamais tive a necessidade de saber onde elas estão ou o que elas têm. Eu sempre fui uma pessoa que gosta de ver as pessoas, conversar e estar perto fisicamente, não através das redes”, comenta Rafaela.

O jovem de 19 anos Gabriel Silva também não sente falta de utilizar os aplicativos. O único que tem em seu celular é o Facebook, mas até se esquece de usar. “Não preciso dessas coisas. As pessoas estão muito preocupadas para saber o que está acontecendo com a vida dos outros. Até tenho o Facebook mas nem sequer utilizo”, relata jovem. Apesar da queda dos números de usuários, algumas pessoas ainda utilizam as redes sociais para divulgar seus empreendimentos.

Aline Taricio, proprietária de uma clinica de estética, explica que não teria necessidade de utilizar as redes sociais se não tivesse o seu negócio. “Eu nem considero que uso, pois praticamente só entro nas redes sociais para divulgar o meu negócio”, explica.


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