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Gordura abdominal aumenta risco de doenças cardíacas

VINICIUS SCARTON | 27/01/2019 | 05:03

A falta de exercícios físicos, aliada a má alimentação tem afetado a qualidade de vida de muitas pessoas, gerando um acúmulo de gordura abdominal, não somente em pessoas obesas, mas também em magros, ocasionando sérios riscos à saúde.

De acordo com o cirurgião cardíaco do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, Luiz Carlos Bettiati, a gordura abdominal que acumula nas vísceras, conhecida como gordura de fígado, localizado bem na cintura abdominal, é uma síndrome metabólica que aumenta a resistência à insulina, podendo provocar a pré-diabetes e aumento dos níveis de triglicérides. “Normalmente isso acontece quando há muito alimento e pouco exercício, gerando alteração no colesterol bom, conhecido como HDL, que estará baixo, dobrando o risco de enfarte e outros problemas cardíacos, além de derrames cerebrais”, afirma.

Bettiati explica que a chance de desenvolver a gordura abdominal aumenta com o ganho de peso. “Portanto, o homem que está acima de 102 cm de circunferência abdominal e a mulher acima de 88 cm, precisam se atentar, pois são números considerados preocupantes”, alerta. O especialista reforça que, em sua maioria, o risco das doenças aumenta em pessoas que não fazem atividades físicas, que ganham peso por essa falta de hábito e que possuem níveis elevados de gordura no sangue. “Ou seja, dentro deste quadro qualquer pessoa pode ser afetada”, explica.

Para eliminar a gordura abdominal, Bettiati recomenda a dieta mediterrânea, com baixa ingestão de carboidratos e alimentação baseada em frutas secas, peixes, legumes, cereais e eliminação ou diminuição da bebida alcoólica. “Neste caso, coma o que se compra na feira e não no supermercado”, destaca com bom humor.

Sobre as mudanças de hábitos, o cirurgião cardíaco ressalta a importância de fazer um balanço das calorias, ou seja, aquilo que é ingerido e quanto é gasto. “O ideal para quem está com a cintura aumentada, com pressão alta, é passar por uma consulta com um cardiologista ou clínico geral. Posteriormente, iniciar uma atividade física de sua escolha e incluir a dieta mediterrânea”, diz.

Bettiati afirma que estilo de vida da atualidade têm gerado diversos problemas. “A modernidade está levando à sociedade a fazer menos atividades físicas, ingerindo alimentos processados, que causam doenças sérias. Por este motivo, opte pela mudança. Faça algumas coisas do cotidiano sem utilizar o carro, vá a pé. Reserve um horário do dia para praticar exercícios físicos”, recomenda.

MUDANÇA DE VIDA
O morador de Jundiaí e chefe de cozinha, Nelmo Otto Bervert, 46 anos, conseguiu mudar de vida, após um passar por enorme susto no ano de 2017. Segundo ele, a sua alimentação não era nada regrada. “Eu vivia beliscando as coisas em meu ambiente de trabalho e jogava futebol aos finais de semana”, recorda.
Bervert lembra que chegou a pesar 116 quilos e teve um problema sério de saúde. “Em dezembro de 2017 enfartei e quase morri. Cheguei a ficar 5 dias na UTI”, descreve.

Depois desta experiência, o chefe de cozinha mudou sua rotina e, em março de 2018, passou por uma cirurgia cardíaca com o médico Luiz Carlos Bettiati e, desde o enfarte até agora conseguiu eliminar 16 quilos, por meio de exercícios físicos e boa alimentação. “Mas a minha meta tem continuidade. Pretendo perder 8 quilos e reduzir a gordura abdominal”, confirma.

Rui Carlos

Rui Carlos


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