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Grávidas relatam medo em meio à pandemia

MARIANA CHECONI | 03/04/2020 | 05:02

A gravidez é um momento esperado e planejado por muitas mulheres, mas o novo coronavírus trouxe medo às gestantes e às recentes mamães. O simples ato de ir ao hospital ou de receber visitas de amigos e familiares se tornou um momento angustiante para a maioria delas. Apesar de não fazerem parte do grupo de risco, a orientação de especialistas é de cuidado redobrado com a higiene.

O coordenador médico da Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário (HU), Juan Carlos Menacho Melgar, afirma que as orientações para as grávidas são as mesmas passadas para a população geral, ou seja, higiene total. “A gestação naturalmente tem uma diminuição dos mecanismos de imunidade, mas não podemos afirmar que por este motivo elas sejam mais suscetíveis a contrair a doença. Por conta disso é importante seguir todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que significa lavar frequentemente as mãos, usar o álcool gel, máscara de proteção em caso de suspeita e ir ao hospital em caso de extrema necessidade como, por exemplo, o trabalho de parto”, afirma.

Orientações que têm sido seguidas pela operadora de produção Sarita Cristina dos Santos Botelho Neves, de 23 anos. Grávida de 39 semanas, ela conta que neste momento os sentimentos se misturam. “Estou muito feliz e ansiosa pela chegada da minha filha, mas ao mesmo tempo preocupada com tudo que está acontecendo. Estou me cuidando, passando álcool em gel e lavando as mãos constantemente e só saindo quando necessário”, revela.

Não poder receber visita de seus familiares e amigos tem a entristecido muito. “Fico triste porque ela tem os avós e bisavós que infelizmente no poderão visitá-la tão cedo, mas entendo que é uma fase e logo vai passar”, afirma.

Joyce Ribeiro da Fonseca Derboni, de 23 anos, está grávida de sete meses e meio também segue aflita. O seu maior é a segurança da filha, em meio a irresponsabilidade das pessoas. “É um medo sem explicação. Dói o coração saber que minha filha pode nascer no auge dessa pandemia, que muitos ainda não levam a sério. Em relação ao futuro, a economia já está em crise e acredito que vá piorar, mas isso é algo que recuperamos com o tempo. A saúde é o mais importante”, afirma.

E completa. “Dói também saber que não posso compartilhar os detalhes com minha família por fotos e vídeos. Espero que tudo melhore logo, enquanto isso vou seguindo as recomendações da minha médica”, completa.

RECÉM-NASCIDOS
Algumas mulheres acabaram de dar a luz e ganharem os bebês em meio ao caos. É o caso da confeiteira Simone Constantina de Araújo Costa, de 40 anos, mãe de um bebê de 35 dias. Ela conta que teve uma gravidez de risco e preciso fazer repouso absoluto. “Ele nasceu prematuro, com 35 semanas e por isso tivemos que fazer o procedimento ‘bebê canguru’ e deixá-lo na UTI”, revela.

Simone relata que sentiu muito medo porque teve que ficar no hospital enquanto as pessoas estavam isoladas em casa. “Como ele era prematuro fiquei muito preocupada. Além disso, a quarentena me preocupa por conta das consultas para acompanhar seu crescimento”, relata.

A auxiliar de armazém, Léia Nascimento de Brito, de 33 anos, deu a luz apenas há seis dias. Seu caso foi complicado, pois ela pertence ao grupo de risco. Tem anemia falciforme o que deixa sua imunidade baixa. “Fiquei muito assustada em relação ao momento que estamos vivendo. Quando fui ao hospital usei máscaras e luvas para me proteger, mas ainda assim com muito medo. Fiz até meu marido ficar dentro do hospital comigo para ele não ir às ruas e voltar”, brinca.

Mãe de mais duas meninas, Léia diz que o momento é de tensão e por isso todos devem cooperar. “Nunca pensei que iríamos passar por um momento assim, muito menos com um bebê tão pequeno. Tenho mais duas meninas, uma com oito e uma com três anos e vários problemas respiratórios. Todo cuidado é pouco”, completa Léia.

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Léia de Brito teve bebê há seis dias, está em distanciamento

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