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Greve de ônibus continua e comércio e indústria já sentem prejuízos

| 15/05/2014 | 22:38

Iniciada à meia-noite desta quinta-feira (15), a greve dos funcionários das empresas de transporte urbano de Jundiaí, Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista – considerada ilegal – ainda não tem prazo para terminar e causou prejuízos tanto para usuários do serviço, quanto para proprietários de lojas e empresas da Região. Trânsito intenso, atrasos e faltas no trabalho, além de queda no movimento de clientes são algumas das reclamações. Líderes do movimento grevista prometem manter a categoria de braços cruzados ainda hoje e a Secretaria de Transportes de Jundiaí fará o monitoramento da rede de ônibus.

 

Está marcada para hoje uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, às 13h30, para tentar encontrar uma solução. Estarão presentes representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, a Prefeitura de Jundiaí, as empresas de ônibus e até mesmo membros de um grupo de oposição ao sindicato. Esse grupo é encabeçado pelo motorista Givanilson José Ferreira, conhecido como Pernambuco, que promete a continuidade da greve hoje, com homens parados na frente da sede da Viação Jundiaiense. O pedido da reunião foi feito por três empresas de ônibus de Jundiaí e pela prefeitura.

 

Ainda hoje, deverá ocorrer outra reunião, às 10h, no Ministério do Trabalho (MT), com prefeitura, sindicato e empresas, para discutir a questão salarial. “Fui pego de surpresa com essa greve”, disse o gerente regional do MT, Roque de Camargo Junior. “As partes foram chamadas e a reunião deve ocorrer”, disse.

 

O secretário de Transportes de Jundiaí, Wilson Folgozi, espera um movimento maior de ônibus hoje, depois que o TRT divulgar a reunião entre as partes intimadas. No entanto, caso a adesão dos funcionários continue baixa, como ocorreu nesta quinta-feira (15), os terminais municipais poderão continuar de portas fechadas.

 

Segundo ele, regiões inteiras, nesta quinta-feira (15), foram afetadas pela paralisação, como os bairros Jundiaí-Mirim, Tarumã, Vila Rami e Mato Dentro.

 

Comércio – De acordo com Edison Maltoni, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomércio), a queda é evidente. “O comerciante perde pelos dois lados, pelos funcionários e consumidores”, avaliou.

 

Em uma das lojas Passarela, localizada na rua Barão de Jundiaí, 50% dos vendedores não conseguiram ir trabalhar. “São pessoas que moram muito longe, em Campo Limpo Paulista, Cajamar, Cabreúva”, explicou a gerente, Daiane Mariana Lúcio. Apenas 15 dos 31 vendedores compareceram. “Nós misturamos os setores e colocamos os auxiliares de loja para atender a clientela.”

 

Segundo Osmar Manoel de Souza, gerente de outra loja do grupo, o movimento também caiu. “Nós costumamos ter um fluxo intenso de clientes, mas a loja esteve praticamente vazia.” Parte da culpa ele confere ao trânsito. “Muitos dependem dos ônibus e os que não dependem não querem arriscar sair de casa, porque sabem que o trânsito fica uma confusão.”

 

Durante todo o dia, as ruas do Centro da cidade e principais avenidas estiveram com tráfego intenso. Na opinião de Patrícia Gomes, gerente de uma loja de roupas, o prejuízo é inegável. “Nós estamos no mês das mães e é um período que vendemos muito.”

 

Apuros – Moradora de Franco da Rocha, a analista de sistemas Juliana de Oliveira, 24, não conseguiu chegar no horário. Todos os dias, um ônibus fretado da empresa Rápido Luxo Campinas passa no ponto de ônibus perto de sua casa para levá-la até a empresa em que trabalha, na Vila Hortolândia. “Mas os motoristas do fretado também estão em greve”, contou. A auxiliar administrativo Andréia do Nascimento Leiriano, 27, ficou  quase três horas tentando encontrar uma forma de ir até Jordanésia, onde trabalha. 

 

Se conseguir chegar ao local de trabalho era um problema, preocupação maior ainda era como voltar para casa no final do dia. “Ouvi no trem que também há risco de entrarem em greve. E se acontecer? O que eu faço?”, questionava Juliana de Oliveira.

 

O diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em Jundiaí, Mauritius Reisky, ainda não sabia, na tarde desta quinta-feira (15), quantos funcionários das indústrias foram afetados pela parada dos ônibus. “Certamente houve um prejuízo significativo, pois há muitas empresas que ainda dependem desse tipo de transporte”, explicou. “Isso causa problemas, sobretudo, para as micro, pequenas e médias empresas, que não têm os serviços fretados.” Na empresa de Mauritius, voltada a eletrônicos, 17 funcionários tiveram problemas para chegar ao trabalho. “Tivemos que nos organizar para trazê-los.”


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