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Greve já prejudica comércio. Ônibus foram depredados

| 20/05/2014 | 21:09

A paralisação dos funcionários do transporte urbano de Jundiaí – ainda sem data para terminar – causou, desde a última quinta-feira, 40% de queda nas vendas das lojas do Centro de Jundiaí. A informação é de Edison Maltoni, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomércio). “O pior dia para o movimento foi a quinta, quando trabalhadores e clientes foram pegos de surpresa”, explicou Maltoni. “Nos dias seguintes, eles começaram a se organizar para chegar ao Centro.” Além de prejudicar o comércio, durante a greve, nesta segunda-feira (19), dez ônibus foram depredados na cidade e, segundo a Prefeitura de Jundiaí, duas pessoas ficaram machucadas – um motorista e um usuário. Os atos de vandalismo teriam sido causados por seis homens em motos, dentro dos bairros.

 

Em duas assembleias realizadas  nesta segunda-feira (19), de manhã e de tarde, no Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, funcionários do transporte urbano optaram por continuar em greve. Nos últimos três dias, a determinação do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Campinas – de que deveriam circular 70% da frota em horários de pico e 50% nos outros horários – não foi cumprida, segundo a prefeitura e as empresas de ônibus. Uma nova reunião entre as partes envolvidas no caso – com trabalhadores, empresas e prefeitura – ocorre hoje à tarde no TRT de Campinas. Procurado, o tribunal declarou que a decisão de manter 70% da frota em horários de pico vale para hoje.

 

De acordo com o secretário de Transportes, Wilson Folgozi, no fim da tarde desta segunda-feira (19), circulavam pela cidade 38% da frota, o que equivale a 99 veículos. Ele não atribui o problema às empresas, que, segundo ele, “têm se empenhado para colocar os carros nas ruas”. Para ele, o descumprimento é causado por um grupo de oposição à atual diretoria do sindicato. Folgozi diz que a prefeitura fará o possível, em reunião hoje no TRT, para resolver a questão e colocar fim à greve. As empresas de ônibus, por meio de sua assessoria de imprensa, não adiantaram se oferecerão outra proposta, mas que também se empenham em resolver a questão e encerrar a paralisação.

 

Ilegal – Apesar de ter aberto as portas do sindicato  nesta segunda-feira (19) à tarde para a votação da greve em assembleia, o presidente do órgão, Laurindo Lopes, deixou bem claro que daqui para frente a questão deverá ser feita entre os trabalhadores e a Justiça e que considera a greve ilegal, já que ela começou antes da assembleia proposta pelo sindicato. A proposta de aumento do sindicato, a partir de uma pauta aprovada, é de 16% no salário, R$ 15 de tíquete alimentação, entre outros benefícios. As empresas ofereceram, no TRT, na semana passada, um aumento de 8% de aumento e R$ 13 no tíquete.

 

À frente do grupo de oposição ao sindicato, o motorista Givanilson José Ferreira, conhecido como Pernambuco, falou  nesta segunda-feira (19) aos trabalhadores no palco do sindicato e disse que a categoria continuará unida até o fim, fazendo paralisações na porta das empresas. Questionado sobre a quantidade de ônibus que foram às ruas,  nesta segunda-feira (19), Pernambuco disse que isso deveria ser confirmado com as empresas. Apesar de ser tratado como líder pelos trabalhadores, ele se diz apenas um motorista engajado com a causa dos trabalhadores.

 

A assessoria de imprensa das empresas de ônibus confirmou que  nesta segunda-feira (19) ocorreram diferentes casos de depredação a ônibus na cidade e que teriam sido motivados pelos funcionários parados, contra aqueles que retornaram ao serviço. As empresas declaram que têm a intenção de cumprir a determinação do TRT, de colocar mais ônibus nas ruas. No entanto, funcionários que querem trabalhar estão com medo, declarou a assessoria das empresas.

 

Comércio – Gerente de uma loja de roupas, Antônio José Blasques diz que o desempenho do comércio, com a greve dos ônibus, está ruim desde a última quinta-feira. “Muitos clientes que vêm comprar no Centro dependem de ônibus”, conta ele, cuja loja teve queda de 20%. Ao lado, em uma doceria, a proprietária Adriana Germano também relata o problema: “a greve só está nos atrapalhando, caíram 40% minhas vendas.” Na ótica de Roseli Inocente, os clientes não têm ido ao local nem para buscarem óculos prontos.

 

O diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estados de São Paulo) Jundiaí, Mauritius Reisky, diz que a greve não afetou a produção das empresas, mas sim o deslocamento dos funcionários – sobretudo nas micros, pequenas e médias empresas, que dependem mais desse transporte.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/greve-ja-prejudica-comercio-onibus-foram-depredados/
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