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Grupo de voluntárias tecem a diferença a pacientes com câncer

SIMONE DE OLIVEIRA | 25/12/2018 | 05:04

O nome já é sugestivo: fios encantados. Este é título de um projeto criado há oito meses pela mente abençoada de uma corretora de seguros que viu a possibilidade de transformar linhas de lã em toucas para crianças em tratamento contra o câncer. Mais que um aquecimento físico, estas toucas confeccionadas por voluntárias tricoteiras refletem um aquecimento da alma, uma vez que as mesmas são confeccionadas inspiradas em personagens infantis, como heróis e princesas bem conhecidos pelos pequenos.

A ideia, segundo a idealizadora Mara Gisele Pereira, de 46 anos, surgiu depois que ela conheceu o trabalho das voluntárias no Grendacc (Grupo em Defesa da Criança com Câncer) onde cada uma exercia uma função diferente. Ela queria participar de algo e foi aí que se lembrou de um projeto criado no Alasca em que uma enfermeira confeccionava toucas de lã para as pacientes. Assim quis trazer a ideia para cá. Nascia assim o ‘Fios Encantados’.

“Eu não sabia e nem sei fazer crochê ou tricô, mas tinha certeza que Deus ia me ajudar a encontrar pessoas que abraçariam a ideia. E graças a Deus encontrei muitos anjos”, conta emocionada. As toucas de lã são confeccionadas com material especial para não provocar alergia nas crianças. São toucas 100% acrílicas e de uma qualidade própria para não perder a qualidade e nem a flexibilidade, mesmo depois de muitas lavagens. “As primeiras toucas foram feitas com lãs compradas pelas próprias voluntárias e, à medida que o trabalho e os pedidos surgindo, os novelos foram chegando de outras mãos voluntárias.

“Em sete meses de produção já foram pelo menos 1,8 mil toucas produzidas. As voluntárias se reúnem uma vez por semana e são confeccionadas pelo menos 350 por mês. Elas são confeccionadas com os mais diferentes personagens infantis, princesas e heróis da TV, isto é que dá toda a diferença do projeto e o encantamento de cada criança”, lembra Mara reforçando que as peças são doadas, e não vendidas.

Sem medida
Em média 50 voluntárias se dedicam semanalmente a arte de tricotar as toucas e também sapatinhos para alguns asilos. Mais do que ajudar os outros, a reunião é importante para ressaltar um lado solidário destas mulheres que fazem deste ofício milenar um encontro de alegria recíproca.

Assim tem sido para a aposentada Ignez Mazzini Coelho, de 83 anos, uma das mais queridas voluntárias do projeto. Exímia na arte do tricô, ela conheceu o projeto por meio de sua neta, amiga de Mara. Como precisava de voluntárias, ela resolveu se juntar ao grupo. Hoje é conhecida como ‘Maquininha’ pela rapidez com que faz as peças. “Eu sempre gostei de tricotar, desde minha adolescência e cresci fazendo isto para minha família, mas nunca pensei que poderia ajudar as crianças com este trabalho tão simples”, declara.

E é no sofá de seu apartamento que as peças começam a sair. Em cada novelo nasce duas toucas e depois encontra o restante do grupo para dar os acabamentos finais. “Sinto muita emoção em saber que meu trabalho está ajudando estas crianças.”
Para conhecer mais sobre o projeto e ajudar basta acessar a página do Facebook ‘fios encantados’. Ali é possível saber como doar as lãs.

Emoção transforma visual e coração

Quem doa sente uma emoção indescritível assim que termina o trabalho, mas quem recebe, com certeza, a sensação de aconchego e gratidão. Assim foi com a pequena Isadora Sevilhano de Tilio, de 5 anos. Diagnosticada com linfoide aguda aos três anos, ela precisa tomar quimioterapias orais e outras sessões mensalmente no hospital.

A mãe Daniela Tilio conta que estão na metade do caminho: ainda falta um ano e meio de tratamento pela frente. “Ela começou a sentir nos ouvidos e ter vômito sem causa aparente. Três dias depois já tínhamos o diagnóstico e começamos o tratamento. Foi um baque grande e nossa vida mudou radicalmente”, conta emocionada. Mas foi quando os cabelos dela começaram a cair, a touca de lã com tranças, lembrando uma princesa, fez toda a diferença, inclusive para a irmã gêmea Carolina que foi presenteada para ficar igual a irmã.

“Elas ficaram muito felizes e usam até hoje. É uma maneira de aumentar a autoestima”, comenta Daniela. Os cabelos compridos e negros de Maria Gabriela Bezerra e Silva, de 8 anos, tiveram que ser cortados assim que a quimioterapia começou. Uma mudança inesperada para uma menina vaidosa, mas foi amenizada com a chegada de uma touca inspirada na personagem infantil Moana.

Sua mãe, Sue Ellen Bezerra e Silva diz que assim que ela recebeu o presente viu o brilho nos olhos da filha pela primeira vez depois de um ano, tempo em que o linfoma de Hodgkin apareceu e o tratamento teve que ser iniciado. “Ela adorava seus cabelos e mesmo não falando nada percebi que ela ficou mais introvertida. Uns amigos sabiam do projeto e encomendaram uma touca. Quando chegou, ela ficou muito feliz”, conta Sue Ellen, comentando que a pequena não sai de casa sem colocar a touca porque sente muito frio na cabeça. (S.O.)

FIOS ENCANTADOS MARA GISELE PEREIRA


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