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Haitianos se casam com companheiras da mesma nacionalidade em Jundiaí

SIMONE DE OLIVEIRA | 14/04/2019 | 05:00

Desde 2013, quando os primeiros haitianos começaram a chegar em Jundiaí em busca de uma nova oportunidade de trabalho e principalmente de apoio social e humanitário, muitas foram as histórias vividas por eles. Fugidos das consequências do terremoto de 2010, da falta de oportunidade de trabalho e na maioria dos casos fugindo da fome extrema, os refugiados encontraram no Brasil uma oportunidade para crescer e sobreviver adotando o país como sua nova nação.

E, para muitos deles, o destino não foi só trabalho, mas também uma maneira de formar e criar suas famílias em terras brasileiras e até jundiaienses. Trazendo pais, filhos e irmãos do Haiti, ou até mesmo formando suas próprias famílias com outros haitianos que vivem aqui ou com brasileiros, suas próprias histórias mudam e são recriadas.

Foi assim para a vendedora Claudine Pierre, de 30 anos. Há dois anos em Jundiaí, ela chegou, como ela mesmo diz, sem a preocupação de chegar. Depois que saiu do Haiti foi trabalhar na Republica Dominicana, depois em Cuba, passou por Santa Catarina até que sua última parada foi em Jundiaí, de onde não saiu mais.

Ainda com um leve sotaque e falando algumas palavras em português, idioma que aprendeu aqui mesmo na cidade, ela casou com um haitiano, o Ernst Cadet, de 31 anos, que conheceu na fila no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) quando ambos procuravam por um emprego.
“Eu estava aqui há apenas um mês e conheci meu marido. Ele estava cantando uma música em crioulo e reconheci que era haitiano também. Começamos a conversar um pouco e logo ficamos juntos”, diz Claudine.

Assim que começaram a se relacionar os dois foram murar juntos e, deste encontro nasceu a jundiaiense, filha de haitianos, Heloisa Cadet, hoje com um ano. “Por enquanto, não penso em voltar para o Haiti. Se for um dia será apenas para visitar meus pais e meu filho de oito anos que está lá. Ainda não consegui a documentação para que ele venha ao Brasil, mas espero que consiga”, diz Claudine.

Por enquanto está sem trabalho, mas ela comenta que assim que sua filha for matriculada na escola, pretende voltar à ativa. “Aqui é uma cidade muito boa para viver. Vim sem saber como era, mas gostei e fiquei por aqui”, confessa a haitiana que mora no Jardim Tamoio.

Acolhimento
Assim como a história de Claudine e de seu marido Ernst, o Centro Scalabriano de Promoção do Migrante (Cesprom), principal unidade acolhedora de imigrantes, registra muitos outros casos.

Segundo a coordenadora do local, a irmã Maria Cléia Franca Santos, na maioria das vezes é o homem, alguns casados ou com uma relacionamento fixo, que saem primeiro do Haiti para conseguir uma vida melhor em outro país. Deixam esposas, filhos e famílias e, só depois de já estabilizados financeiramente, é que começam a trazer os seus. “Temos casos de pessoas já casadas, mas deixaram para ter seus filhos por aqui. Outros conheceram suas namoradas e esposas aqui e depois foram morar juntos, mas na maioria dos casos eles preferem se relacionar com outras haitianas. Raros são os casos de relacionamentos com brasileiras”, diz irmã Cléia.

De 2013 até agora o Cesprom registrou a vinda de 800 haitianos para Jundiaí, porém a coordenadora diz que pode haver mais. Muitos chegam sem precisar da ajuda da unidade. “Só este ano recebemos muitos haitianos aqui. Com a facilidade no pedido de refúgio, a documentação pedida, quer dizer, o Registro Nacional de Migração (RNM), acaba saindo rápido, ao contrário de 2013 quando os primeiros começaram a chegar e sentiam a dificuldade da comunicação e da burocracia”, comenta Cléia lembrando que além de enfrentar a barreira do idioma, os primeiros refugiados estavam abalados com a mudança drástica de terem que sair de seu próprio país.

REFUGIADOS DO HAITI  CLAUDINE PIERRE COM SUA FILHA  HELOISA CADET


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