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Hanseníase: Jundiaí tem menos de um caso para cada 10 mil habitantes

SIMONE DE OLIVEIRA | 05/01/2019 | 05:05

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) o Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. Por ano, são registrados perto de 30 mil casos da doença, nos vários estados brasileiros e dentre as várias classes sociais, incluindo adultos e crianças. Diante destes números, o Ministério da Saúde instituiu o mês de janeiro e a cor roxa para a conscientização sobre a doença.

Em Jundiaí não há registros fechados atualizados sobre os pacientes em tratamento, mas segundo o reumatologista do Ambulatório de Moléstias Infecciosas (AMI), Claudinei José Martins, o município se mantém em uma situação privilegiada com menos de um caso por 10 mil habitantes. “Trata de uma situação não radicalizada, porém controlada. Se pensarmos que em 2001 nossa situação era bem diferente, com 2,1 casos por 10 mil habitantes, o que dava uma média de 60 pacientes em tratamento, hoje estamos muito bem”, explica. Segundo o especialista, o Ministério da Saúde estabelece que mais de um caso por 10 mil habitantes é um problema de saúde pública.

A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae. Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. A doença costuma evoluir lentamente e pode levar até 20 anos para que sinais e sintomas da infecção sejam detectados.

Os principais sinais da doença são manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, alteração ou perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e ao toque. O doente de hanseníase também pode ter áreas de dormência e sensação de formigamento e fisgadas no corpo, além de diminuição da força muscular, podendo apresentar dificuldade para segurar objetos.
Segundo o reumatologista, assim que o paciente apresentar estas características deve procurar orientação médica o mais rápido possível. Em Jundiaí o atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS) é feito pela Unidade Básica de Saúde (UBS) que realiza as primeiras análises do caso. O encaminhamento é feito ao AMI para a confirmação do caso e depois a notificação é feita para a Vigilância Epidemiológica. “O que nos preocupa sempre é o diagnóstico tardio. Mas vale ressaltar que não se tem mais aquele preconceito da doença como antigamente, até porque os tratamentos estão avançados e a cura é possível”, orienta.

Entre as campanhas para explicar sobre a doença e seus tratamentos está a da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e das 21 concessionárias de rodovias paulistas que aderiram ao “Janeiro Roxo”, inclusive a CCR Autoban, Rota das Bandeiras e AB Colinas.

Durante todo o mês de janeiro, 352 painéis luminosos das principais rodovias paulistas veicularão a mensagem “Janeiro Roxo – Todos Contra a Hanseníase”. Com isso pretende-se que a população busque informações sobre os sinais e sintomas da doença que tem cura, porém se não for diagnosticada e tratada a tempo pode provocar sequelas irreversíveis.

O presidente da SBH, Cláudio Salgado, reforça que o tratamento é gratuito em todo o território nacional. “Muitas pessoas convivem durante anos com a doença sem conhecer os sintomas. Por isso precisamos que jovens e adultos sejam alertados e se tornem multiplicadores de informações, para evitar o diagnóstico tardio e as seqüelas.”

A doença pode provocar o surgimento de caroços e placas em qualquer local do corpo e diminuição da força muscular. A hanseníase é a doença infecciosa que mais cega. Se for diagnosticada a tempo, as sequelas podem ser controladas e o paciente terá uma vida normal. Os exames de laboratório conseguem identificar menos de 50% dos casos, mas a SBH alerta que o exame clínico é suficiente para o diagnóstico.

HANSENIASEDOUTOR CLADINEI JOSE MARTINS REUMATOLOGISTA


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