Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Hipnose e constelação familiar são indicadas para tratar doenças

KÁTIA APPOLINÁRIO- ksantos@jj.com.br | 01/04/2018 | 12:11

Já pensou em tratar depressão, hipertensão e transtornos alimentares por meio de hipnose ou imposição de mãos? Desde 2006, o SUS tem oferecido as chamadas Práticas Integrativas Complementares (PICs), que são terapias alternativas, que, combinadas aos tratamentos médicos tradicionais podem ajudar a prevenir e amenizar uma série de doenças.

Em 2017 mais de 1 milhão de atendimentos foram realizados, e neste ano, 10 novas terapias foram adicionadas, totalizando 29 modalidades, que abrangem cromoterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, imposição de mãos e outras. Ainda que muitos relacionem essas terapias a misticismos e crenças religiosas, há quem comprove sua eficácia. É o caso de Vinícius Dias da Silva, de 32 anos, que não duvidou do método, e por meio da hipnoterapia, emagreceu 28 quilos em seis meses. “Em cada sessão da hipnose uma parte da minha mente era reprogramada. Orientado, eu coloquei um balão gástrico enquanto estava inconsciente. Ao acordar, eu sentia e acreditava que havia um balão dentro de mim, e assim fui emagrecendo. É um processo gradual”, afirma.

Segundo o hipnoterapeuta Olimar Tesser, a hipnose age no psíquico dos pacientes, local em que 90% das doenças se originam. “Se as doenças são criadas pelo psíquico, elas também podem ser tratadas pelo acesso a este campo”, explica.

RESOLVENDO CONFLITOS
Dentre as novidades oferecidas pelo SUS, está a constelação familiar, terapia pela qual optou a fisioterapeuta Lívia Maria Siqueira, de 32 anos, para melhorar seu relacionamento com a família e no ambiente de trabalho. “A constelação permitiu com que eu enxergasse as situações de fora, e assim, as entendesse melhor”.

ARLETE MENEGATTI. Foto: Rui Carlos

ARLETE MENEGATTI. Foto: Rui Carlos

A facilitadora Arlete Menegatti explica que a constelação familiar busca resolver os conflitos que herdamos de nossos ancestrais e que acabam inconscientemente nos induzindo a reproduzir comportamentos e doenças. “Temos uma conexão muito grande com os membros da nossa família, e todas as nossas experiencias refletem em nosso grupo, por isso herdamos não apenas a cor dos olhos ou da pele, mas também as potencialidades e os traumas dos nossos ancestrais. Por isso a Constelação considera os padrões que se repetem ao longo das gerações”, conta.

Os resultados da constelação familiar dependem da capacidade da pessoa em compreender a origem do problema pelo qual está passando, assim como a hipnose depende da entrega do paciente à submersão ao estado inconsciente. “Na hipnose, você não faz nada do que não queira. Tudo está conectado, mas o que manda é o pensamento”, conta Vinícius.

Mas seja se tratando das já citadas ou de qualquer outra terapia integrativa, é importante salientar que essas práticas não substituem o uso de medicamentos ou os tratamentos médicos convencionais. “A terapia nunca substitui um tratamento médico, ela os complementa, por isso se há indicação de algum tipo de medicamento é importantíssimo que seu uso seja seguido corretamente”, alerta Arlete.

POLÊMICA
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) alega não compactuar com a decisão do Ministério da Saúde ao lado do SUS em oferecer as Práticas Integrativas Complementares (PICs), valendo-se de que estas não possuem rigor técnico e científico, além de exigir um investimento financeiro muito alto para o sistema público de saúde.

Mesmo com a polêmica e não concordância entre os órgãos de saúde, as terapias continuam sendo oferecidas aos pacientes da rede pública de saúde. Em Jundiaí, a rede de Atenção Básica oferece sessões de acupuntura e auriculoterapia, dança circular, Lian Gong, horta/fitoterapia, arte terapia, meditação, roda de chá, shantala, escalda-pés, homeopatia e, de forma piloto, reflexologia podal, mas ainda não contempla as novas terapias integradas. No ano passado, 2,6 mil procedimentos foram oferecidos só na modalidade acupuntura, e a meta para 2018 é ampliar o oferecimento para atender toda a demanda populacional.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/hipnose-e-constelacao-familiar-sao-indicadas-para-tratar-doencas/
Desenvolvido por CIJUN