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Histórico, Solar do Barão reabre após seis meses de reformas

COLABORAÇÃO DE LIGIA ANDRADE | 14/12/2018 | 19:14

Aos 64 anos de idade, Meire Costa, prestadora de serviços no Solar do Barão, conhece o lugar como a palma de sua mão. Sentada em sua cadeira de madeira, ao lado de uma imensa janela de arquitetura cafeeira, trabalha no Solar há mais de 30 anos. A princípio, conta que aceitou o trabalho por necessidade. Hoje, entretanto, a antiga residência do aristocrata já ocupa um grande espaço em seu coração: “Eu tenho duas casas: a minha e essa aqui”, admite.
Dentre os motivos que a levaram a acolher o Solar do Barão como sua segunda casa estão o carinho pelo público, por seus colegas, o aprendizado que a história do local lhe proporciona e a cultura que a cerca. Desde maio deste ano, porém, o Solar encontrava-se de portas fechadas. O motivo era mais do que satisfatório: devido à necessidade de troca de fios elétricos e reforço na estrutura do prédio, uma reforma foi instaurada.
Paulo Vicentini, diretor do Solar do Barão, explica: “A reforma era absolutamente necessária. Estava no cronograma desde fevereiro do ano passado, e há um projeto para o Solar do Barão até 2030, que está sendo desenvolvido aos poucos”. Dentre as reformas que foram realizadas, está a do sistema elétrico que foi refeito, assim como 280 metros de telhado, reforço estrutural do telhado frontal e o reforço estrutural dos pisos de madeira. Além disso, também houve a preparação da infraestrutura dos porões para serem abertos até o próximo ano.
Com tantas alterações, porém, o contexto histórico do local permanece preservado. A partir de taipa de pilão, uma mistura de cascalho e argila utilizada largamente no período colonial, o grandioso Solar do Barão foi construído entre 1790 e 1795. De arquitetura cafeeira, cuja fachada hoje conhecida foi concluída em 1862, abrigou Antônio de Queiróz Telles, o “Barão de Jundiaí”, e sua família aristocrática por décadas. O famoso jardim, ao contrário do que muitos pensam, veio a surgir somente em 1982. A árvore mais velha do Solar, uma jabuticabeira de 110 anos que, segundo Paulo, só pode ser manuseada por dois funcionários de tão preciosa historicamente que é, confirma essa versão.
Algumas paredes do Solar do Barão continuam em taipa de pilão até os dias de hoje, enquanto outras, em tijolo. Toda a reforma foi realizada em parceria com as Irmãs Vicentinas de Gysegem, que forneceram os materiais, e a Prefeitura, que ofereceu a mão de obra. Assim, teve custo zero. A reinauguração, que ocorreu nesta sexta-feira (14), contou com a presença do Prefeito Luiz Fernando Machado, do coral nas janelas do Solar e marcou a abertura oficial da exposição dos presépios. De portas abertas, o Solar do Barão, que contou até mesmo com a visita de Dom Pedro II à ilustre família aristocrata jundiaiense na época do Império, recebe novamente o público.

Rui Carlos

Rui Carlos


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