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Hospital São Vicente reduz dívida e amplia o atendimento

ARIADNE GATTOLINI | 27/01/2019 | 05:00

No Aglomerado Urbano de Jundiaí, o centenário Hospital São Vicente de Paulo é o único centro de referência de alta complexidade e disputa centímetro por centímetro os seus acanhados 11,4 mil m2 para atender 23 mil pessoas, com 1.250 mil internações, 575 cirurgias, ao mês, e 1,7 mil funcionários. O gasto mensal é de R$ 15,5 milhões, 69% deles bancados somente pela Prefeitura de Jundiaí. As reformas acontecem a pleno vapor, para aumentar a capacidade no pronto-socorro ortopédico e na quimioterapia.

Cada consultório aberto, mais uma cadeira quimioterápica, um alívio para um sistema que vive sobrecarregado. O HSV banca também os salários dos funcionários dos prontos-atendimentos nos bairros e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Se controlar os gastos em um sistema mal financiado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é uma dificuldade diária, ficou para trás o tempo em que os médicos tinham que escolher qual paciente iria receber um respirador e deixavam seus plantões para registrar boletim de ocorrência por falta de condições de trabalho. Segundo o superintendente, Matheus Gomes, a situação do hospital em 2017 era calamitosa, com dívidas de R$ 23 milhões a curto prazo, com atraso de salários e pagamentos de fornecedores.

Hoje, o hospital está com as contas em dia e quitou 80% deste débito passado. A primeira medida foi demitir funcionários, com redução de 10%. O prefeito Luiz Fernando Machado afirma que o HSV de hoje tem o número de funcionários que precisa. “Aqui, não há mais cargos desnecessários. O que antes era um cabide público não é mais. Não admito a ingerência política em um hospital filantrópico.”

Com redução de gastos na folha, gestão de pagamentos com descontos junto a fornecedores, o custo médio de internação no hospital caiu de R$ 9,5 mil para R$ 6,5 mil. As emendas parlamentares, no total de R$ 6 milhões, também ajudaram nas reformas que estão em curso. A maior delas, a troca de telhado, além de ampliação de ambulatórios.

O hospital foi pintado e os consultórios ganharam novo mobiliário, mas no calor intenso destes dias, os pacientes reclamam do ar-condicionado, que nem sempre funciona. O velho prédio não comporta a carga de energia elétrica.

O coordenador do gabinete de crise, Dr. Itibagi Machado, afirma que sabe que há falhas. “Não podemos consertar tudo de uma vez. Sabemos das nossas limitações.” O ortopedista Itibagi prevê, ainda neste ano, ampliação também do centro cirúrgico, das oito salas atuais para nove, aumentado a produtividade e diminuindo as filas para as cirurgias eletivas, principalmente para a colocação de órtese e prótese. Hoje, o local tem 95% de ocupação e uma produtividade 26% maior que dois hospitais de Campinas.

Andando pelos corredores do hospital, há pacientes que vêm de Minas Gerais, acidentes domésticos com idosos da Região e situações extremas, como pancreatite, em internações de longa duração. De portas fechadas, o HSV recebe pacientes referendados pela rede pública municipal e pelo CROS, do governo estadual. A UTI cardíaca é referência nacional e já ganhou prêmios internacionais.

Patrícia Pereira, 40, está há sete anos em tratamento de uma doença autoimune. Após a última quimioterapia, ela teve uma trombose abdominal e está internada. “Se não fosse pela Dra. Daniela, não estaria viva.” Mãe de um filho com deficiência, seu sonho é voltar para casa. “Sempre fui muito bem atendida aqui.”

Há, ainda, o problema crônico do hospital. Em plena quarta-feira havia 30 pacientes de pronto-socorro internados nos corredores. “A média desta internação é de 1,7 dia”, afirma Matheus. A gestão faz ainda pesquisa diária, pela manhã e à tarde, para saber o grau de satisfação destes pacientes de corredor. “70% deles aprovam o atendimento”, afirma.

Em plena crise econômica, o HSV tem recebido também mais pacientes oncológicos. De um ano para cá, o aumento foi de 40% entre quimioterapia, hormonoterapia e radioterapia. “São os desvalidos dos planos de saúde, principalmente idosos que não têm como pagar os altos custos dos convênios”, diz Matheus.

PREFEITO LUIS FERNANDO MACHADO VISITA HOSPITAL SAO VICENTE DE PAULO REFORMA


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