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Hospital Universitário realiza mais partos normais

| 25/04/2014 | 17:28

O Hospital Universitário (HU) de Jundiaí faz, em média, 300 partos ao mês – de dez a 12 todos os dias. Deste total, 37% são cesáreas e 63% são partos normais, segundo dados do último quadrimestre de 2013 – de setembro a dezembro. Por outro lado, em três hospitais particulares de Jundiaí se vê o oposto: mais cesáreas do que partos normais.

O número de cesáreas, segundo o professor titular de obstetrícia da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Nelson Lourenço Maia Filho, inclui os casos de gravidez de risco. Ele acredita que, tirando as cesarianas em mulheres que não correm risco, o número chegue a apenas 15% do total – justamente o que pede a Organização Mundial de Saúde (OMS) aos hospitais.

“O fato de o Hospital Universitário ter se tornado referência em partos de risco na Região ajuda a subir o nosso número de cesáreas”, declara o médico. “Mesmo assim, somos o hospital da Região com o menor número de cesáreas.” Em setembro do ano passado, 37% dos partos ocorridos no HU foram cesarianas.

Os números cresceram em outubro e novembro – com 39% em cada – e voltaram a cair em dezembro – com 34%. O hospital não tem registrado mais de 39% de cesáreas ultimamente, explica Nelson Maia. No entanto, no segundo quadrimestre do ano passado – de maio a agosto – a média chegou a 40%.

Os números, em anos anteriores, foram menores. No terceiro quadrimestre de 2011 as cesáreas correspondiam a 32% e, em 2012, a 31% no HU. “Quando procura um médico, a mãe costuma chegar com uma ideia, mas o profissional deve sempre privilegiar o parto vaginal”, declara Nelson Maia. “Em nosso pré-natal [na rede pública], sempre orientamos o vaginal.”

As vantagens do parto normal, ou vaginal, são muitas. Além de a mulher sofrer menos após o nascimento, há menos riscos de infecção e as chances de algo dar errado nas próximas gestações são menores. “Com o parto vaginal, o útero da mulher continua intacto.” Mulheres que tiveram duas cesáreas terão obrigatoriamente de continuar a fazê-las caso queiram ter mais filhos – pois há riscos de o útero se romper no terceiro parto.

O tempo e a dor do parto normal costumam ser maiores. O médico só interfere com a anestesia após certo tempo, para não atrapalhar as contrações e o trabalho de parto. Moradora do bairro Morada das Vinhas, a dona de casa Juliana Graciele Paula da Silva tem 27 anos e seus dois filhos nascerem de parto normal. O último deles, Vitor Gabriel, é um bebê de 2,7 kg nascido no último dia 13, no HU.

Ela chegou a pensar que teria de fazer uma cesárea, pois, em uma consulta médica, o bebê estava sentado. No entanto, Vitor virou dias antes, mas o trabalho de parto durou mais de seis horas. O mesmo não ocorreu com a também dona de casa Vanilza Cavichioli, 36, cujos dois filhos nasceram por meio de cesariana. Segundo a mãe, a bolsa rompeu, mas não ocorreram dilatações, o que inviabilizou o parto normal. Seu filho Guilherme nasceu com 3,2 kg.

A ajudante de cozinha Maria Cleudiane Ferreira dos Santos, 28, teve seu primeiro filho no último dia 12 por meio de uma cesárea. Ao ser levada ao hospital, ela teve complicações, sua pressão subiu e o médico optou pela cesariana. Jonathan nasceu com 2,2 kg. Maria Cleudiane conta que só descobriu a gravidez no quinto mês.

Particulares
Nos hospitais particulares, a maior parte dos partos é cesárea. No Hospital Pitangueiras, segundo sua assessoria de imprensa, são 60,2% de cesáreas contra 39,8% de partos normais em 2013, num total de 1.117 e 740 respectivamente. Em 2014, as cesáreas no hospital cresceram ainda mais, ocupando 65,5% do total de partos, com 341 até março.

As cesáreas também superam os partos normais na Unimed. Em 2012 foram 638 cesarianas e 418 normais. Em 2013, 681 e 453, respectivamente. O Hospital Paulo Sacramento não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.


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